do you see me? really?

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Clique aqui,  para ouvir Know me Better – Mabel, enquanto lê. ❤

Você me vê. Mas você não sabe quem eu sou. A verdade é  que as pessoas nos notam, mas definitivamente não nos conhecem só no olhar. Nunca fui do tipo de pessoa que repara em alguém, só para exercer o poder de criticar, pelo contrário o que me chama a atenção é quase sempre algo que eu admiro só de bater os olhos, e aí nunca é critica é sempre só, elogio. Eu já fui pega de surpresa por pessoas que me surpreenderam quando eu esperava tão pouco, e elas chegaram lá e me mostraram muito, muito mais de si mesmas.  E esse é o tipo de surpresa que nos faz bem. Sabe por que? Porque nos coloca no lugar, nos mostra que não se pode ver o outro, ver de verdade mesmo, só num espiar de olhos rápidos. É preciso conhecer o contexto, é preciso ouvir a história, é preciso experimentar da companhia. Por isso, eu sei… você me conhece, mas definitivamente não sabe quem eu sou.

Eu posso ser aquela que desfila salto alto a semana inteira, e só de olhar já parece nariz empinado demais. Mas quase ninguém conhece a versão pés descalços pela casa, e pijama surrado quase como segunda pele em todos os finais de semana, “tão desleixada” você diria se pudesse ver, e olhe só… já teríamos só ai, dois constrastes em uma única pessoa. Eu posso ser aquela que quase nunca sorri, e traz sempre no rosto a expressão fechada de quem não se importa nem um pouco com o mundo a sua volta. Mas quase ninguém conhece a versão riso frouxo nos almoços de domingo, onde para completar a personalidade só precisaríamos mesmo do bom e velho nariz vermelho de palhaço, porque gargalhada já tem, e muita. Eu posso ser aquela que escuta clássicos do Jazz no volume mais alto, para alguns ótima escolha musical, para outros tão antiquada quanto alguém no auge dos seus 80 anos. Mas ninguém conhece a versão eclética, de quem passa todos os repertórios possíveis da playlist, sem ousar pular sequer a sessão de funk, “tão descontrolada” você diria se me ouvisse cantarolando coisa assim por ai.

Eu posso ser inúmeras pessoas aos seus olhos, posso ter milhares de personalidades, algumas boas qualidades,  ou outros terríveis defeitos. Eu posso ser boa o bastante ou insuportavelmente ruim. Eu posso ser o coração mole, que se entrega fácil ao choro no menor sinal de afeto possível, ou posso o coração de pedra que parece não pulsar nenhuma reação sequer. Eu posso ser a boa filha, ou a rebelde sem causa que vive dando tudo, menos orgulho a família. Eu posso ser inteligente a ponto de debater inúmeros assuntos ou boba demais a ponto de silenciar diante de uma afronta. Eu posso ser aquela mimada que acha que o mundo todo vive a meu favor, ou posso ser aquela que ralou suficiente para chegar aonde chegou pelas próprias pernas. Eu posso ser a antipatia que não ergue os olhos na direção de alguém ao caminhar pela rua, ou posso ser a timidez que se esconde até atrás da própria sombra sempre que sai por aí. Talvez você nunca vá saber afinal. Eu posso ser a medrosa que nunca experimentou uma grande emoção, ou posso ser a coragem que colocou os pés no mundo, e se inebriou de pura liberdade destemida. Eu posso ser entediante demais, ou surpreendentemente interessante, dependendo de quem estiver me ouvindo.

Eu posso ser muita coisa, para você. E pode ser que muitas dessas coisas que você olha e vê, nem seja de fato eu. Posso ser quem eu sou de verdade ou quem eu sou só de mentira, mentira essa que você mesmo vê e toma por sua própria verdade sobre mim. Eu posso ser quem você quiser que eu seja, para você… e não importa muito quem eu seja de verdade, se você não estiver nenhum pouco interessado em conhecer minhas verdades. O fato é, que posso não ser da forma como você me vê, pelo menos não tão superficial assim quanto sua visão sobre mim. Posso ser só um comentário qualquer ou ser realmente a protagonista da história que está sendo contada. Alias,  minha história tem muito mais capítulos do que o pequeno prólogo inicial que você leu e achou ser tudo. Sou um conjunto de experiencias tão minhas, que só mesmo quem convive consegue perceber. Não sou facilmente decifrável com um bater de olhos, é preciso olhar outra vez,  e mais uma vez. É preciso parar para ouvir, ouvir muito. Afinal, aquela pessoa calada pode não ser assim tão calada quanto demonstrava ser. É preciso conhecer.

Não se conhece ninguém só num olhar, não se julga alguém só por demonstrações de personalidade em fragmentos de diferentes situações. Existe um todo, por trás de cada parte. E é juntando todas as partes, feito quebra cabeças mesmo, que se chega a um “eu”no final do jogo. Quantas pessoas você verdadeiramente conheceu nos últimos anos? E quantas você “achou” conhecer? Provavelmente a balança penderia com enorme diferença para um dos lados, se medíssemos ambas as respostas. É cada vez mais difícil conhecer verdadeiramente as pessoas, não porque os tempos mudaram, não porque não existem mais pessoas legais o bastante por aí. É difícil, só mesmo por falta de… interesse. A enorme névoa de superficialidade que por vezes cega nossos olhos diante de belíssimas profundezas, que nem nos dignamos conhecer. Conheça as pessoas, mas conheça de verdade. Veja as pessoas, mas veja de verdade. Ouça as pessoas, mas saiba ouvir até o final. Note, perceba a diferença entre julgar saber, e saber realmente quem é quem.

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Diz aí que eu te escuto

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