it was about you, it ended up being about me.

 

IMG_5366

 

Sabe já faz um bom tempo eu sei, mas é como se eu ainda estivesse presa naquela semana, naqueles dias, naquela cidade. Eu ainda lembro dos detalhes, nossos passos embaralhados pelas ruas agitadas de uma cidade que parecia acordar a noite, seu assoviar divertido com temas de clássicos dos desenhos nos anos 90, seu sorriso de canto que me servia como um convite para chegar um pouco mais perto, um convite ao aconchego, um incitar de novos abraços.

Sabe, as vezes ainda me sinto como aquela garota, sentada ao seu lado naquele banco bem no meio da St. Patrick’s, cabeça encostada no seu ombro, mãos entrelaçadas as suas, e olhos perdidos no mar de pessoas que por ali passavam. Você prendendo seu cigarro entre os dedos, nossa sombra refletida na calçada em um das raras presenças de sol de um país famoso por ser tão cinza. Talvez esse tenha sido o momento em que mais me aproximei de uma verdadeira definição de paz. Eu me sentia em paz ali, você me mantinha em paz ali, éramos paz ali, juntos.

Sabe todos os dias eu aprendia com você, sobre você e talvez principalmente sobre mim. Eu me permiti ser eu mesma, com todos os medos e todas as enormes inseguranças, com a gargalhada esquisita e o cabelo bagunçado de sempre. Eu me permiti ser a garota que  sentiu a respiração falhar ao ver você entrando pela porta daquele pub. Eu me permiti ser a garota que acenou na sua direção. Eu me permiti ser a garota que ganhou logo em seguida um enorme sorriso como resposta ao aceno. Isso me marcou. Esse encontro me marcou. Essa experiencia me mudou. Você era um pedaço do mundo para mim, que a principio parecia tão distante e num piscar de olhos se mostrou ser completamente acessível, alcançável. Eu alcancei um pedaço do mundo quando te conheci, e hoje o mundo todo de repente parece ser mais fácil de alcançar para mim. Perdi o medo de toda essa imensidão, perdi o medo das surpresas que me esperam além mar, perdi o medo de voar, perdi o medo.

Sabe, hoje eu completo mais uma volta ao redor do sol, e é quase impossível não relembrar que na volta passada você esteve comigo. Vai ser difícil para a vida me surpreender a ponto de superar a surpresa de quando ela me trouxe você, naquela semana, no meu momento, dentro do que parecia ser um sonho, mas era real, palpável, passível de despertar olfatos com perfumes e sorrisos com trocas silenciosas de olhares. Foi o ápice do indescritível. Foi você. Foi. Fomos um nós.

Sabe, a chuva ainda me traz memória do som da sua risada perceptivelmente  estrangeira. Como naquela noite em que parecíamos inebriados pela vida e entregues ao acaso, duas almas leves se deixando molhar pelos pingos de chuva que caiam do céu já escuro, duas crianças pulando em poças de água e tentando derrubar um ao outro dentro da fonte que ficava no caminho, bem em frente aquele parque de grades altas sempre fechadas, mas que durante o dia era palco de bons músicos locais e de um violino em especial, que tocou a sua música, aquela cujo som agudo das notas parecia cantarolar a letra em espanhol da qual você só sabia o refrão, mas cantarolava junto sempre, mesmo assim, mesmo não sendo nem de perto o idioma que você dominava.

Sabe, você ficou ate mesmo nas coisas mais banais. E isso é o que eu chamaria de intensidade. Ainda sinto você invadindo despretensiosamente meus bate papos entre amigos. Nunca é sobre você, mas sempre acaba sendo você em uma história ou outra. Porque você de fato, esteve presente em cada uma dessas histórias. Elas são sobre mim, sobre nós, sobre meus amigos, sobre eu e você, e aquele lugar, onde o verde predominava nos campos e os dias eram quase sempre nublados. Mas onde a vida parecia ser mais leve e absurdamente mais apaixonante.

Sabe, eu me perdi em inúmeros momentos quando estive com você. Me perdi no caminho, a clássica história do Fitzgerald, que com certeza nunca iremos esquecer. Me perdi no tempo, que pareceu passar mais rápido do que normalmente passaria. Me perdi no azul dos teus olhos, contratados com o loiro dos seus cabelos. Me perdi nos teus monólogos sobre família, amigos, e sobre vida no geral. Me perdi nos planos que fizemos juntos,  nos que eu fiz e nos que deixei você fazer por nós, sozinho. Me perdi, dentro de um lugar que esteve dentro dos meus livros, mas que agora parecia fazer de nós personagens de uma história até então nunca contada por ninguém. Nós vivemos essa história, marcada a cafés, flores, e paisagens de tirar o fôlego. Foi a nossa história. Fomos nós.

Sabe, tem muita coisa sua que ficou aqui, os tickets de trem, as entradas do passeio que você guardou no bolso, o registro da sua eloquência conquistada, as fotografias de nós dois,  os episódios das suas series favoritas que eu já sei de cor, a receita do seu famoso frango assado com brócolis, sua mensagem de bom dia no horário local que quase ainda era boa noite pra mim, seu perfume do qual agora eu tenho um frasco, só para reascender as memórias, só para não deixar todo esse tempo te apagar de mim, ou nos apagar das histórias, aliás tem eu também, que ainda sou um pouco sua e talvez nunca deixe realmente de ser, mesmo que só um pouco, mesmo que só por um descuido, mesmo que sem querer, quase, quase querendo. Porque droga, era tão bom me sentir pertencer. Pertencer a essa liberdade que éramos nós, sem definições, sem amarras, sendo só sentimento e dos fortes meu caro. Forte mesmo.

Sabe, tem muita coisa minha que foi com você, além é claro daquela nota de 2 reais, toda rabiscada, com frases descontraídas tentando soar engraçada, mas também cheia de corações desenhados, para não fugir do foco principal que era de forma subliminar te dizer: que do outro lado do mundo, depois de todos esses quilômetros, tinha coração inquieto e saudosista, esperando sempre por você. Cola ai vai, pra uma visita! Cada  berloque daquela pulseira contou um pedaço da história, que eu contribui com alguns capítulos e você com outros, teoricamente não precisaria da carta, só de olhar você já iria saber, que de todos o mais importante era o coração vermelho que ficava bem no fim, pendurado logo depois de um trevo da sorte, porque aquele era o meu coração dado a você de forma figurativa, com um pingo ou outro de verdade.

 

Sabe, na real mesmo eu só queria dizer que sinto saudade. E olha só a ironia, logo saudade que só se define realmente em português. Na sua língua seria algo parecido com “Ich vermisse dich”, que eu nem sequer sei pronunciar, e olha graças a Deus você falava outro idioma, mas enfim… falta ou saudade, eu só queria dizer que é isso que eu sinto de você, ainda hoje. Obrigada pela nossa história . Será sempre meu melhor presente de voltas ao sol, já ganhado até hoje. Feliz dia para mim! ❤

Anúncios

Diz aí que eu te escuto

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s