It does not have to be beautiful, it just needs to be real.

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Sabe, eu fui a primeira a desacreditar de nós. Quando as pessoas me diziam: “vocês jamais dariam certo, são tão diferentes”… Eu apenas concordava. Parecíamos realmente errados demais, opostos completamente individuais. Personalidades absurdamente desiguais. Cada particularidade sua me incomodava, o som da sua risada alta demais ecoando pelos cômodos, a sua falta de jeito com as palavras, a sua mansidão diante de toda minha tempestade interior. Eu detestava o modo como você costumava cortar o cabelo e a sua mania de falar de finanças e assuntos sérios durante a descontraída cerveja no balcão do bar. Eu me incomodava com a sua falta de apego, e com a ausência praticamente completa do seu romantismo, o que soava quase como um silencioso deboche toda vez que eu dizia sentir algo por você. Eu condenei cada uma das suas investidas em outras garotas, acontecendo bem ali na minha frente, mesmo que não houvesse compromisso algum, mesmo que não houvesse nada entre nós. Ainda assim, era estranho ver outras se interessando por você e pior, ver você se interessando por elas em resposta.

Eu sempre quis trocar as fechaduras só para te impedir de entrar ao voltar, queria que meu coração aprendesse a lhe barrar com o tempo. Queria sentir você deixando a minha vida aos poucos, mesmo quando na verdade tudo que eu mais queria era apenas ver você chegando decidido a definitivamente ficar. Mas eu nunca consegui criar barreiras entre nós. Você sempre zombou dos meus pontos finais e fez deles reticencias, de uma história que você estava decidido a escrever do seu modo, no seu tempo, as vezes me incluindo nela e outrora me deixando do lado de fora. O pior sempre foi, meu aceitar ficar de fora as vezes, olhar você mudando coisas em você que eu não me permitiria tentar alterar, por gostar de como elas eram, por serem essencias suas, das quais eu já havia tomado posse e roubado para mim. Com ou sem a sua permissão. Eu sempre odiei a sua distancia planejada e a forma como a saudade parecia não ter sobre você a mesma influencia que em mim.

Eu sempre me irritei com essa sua teimosia, e de como discordar de mim para você parecia ser uma diversão a parte. Já supliquei para que você me deixasse em paz, quando na verdade a paz que eu queria era apenas a certeza de lhe ter todos os dias ao meu lado. Já coloquei você para fora da minha vida em mais vezes do que eu poderia ser capaz de contar, e em todas elas acabou sendo eu quem lhe pediu para voltar. Mas a escolha de voltar ou não… Essa sim, sempre foi sua. Uma absurda mistura de ódio e amor, de querer por perto e logo depois desejar estar o mais longe possível. Eu sempre detestei a forma como você me privava de assuntos seus, dos problemas, das conquistas, dos medos e até mesmo das suas maiores alegrias, eu queria fazer parte de tudo isso. Mas você sempre insistiu em me deixar a parte. Enquanto eu, compartilhava com você todos os meus sentimentos e as minhas frustrações, sem cobrar por conselhos, apenas por necessitar de ter alguém com quem dividir, quando a vida parecia cobrar mais do que eu achava suportar.

Eu conheci lados seus dos quais nunca gostei. Vi você defender verdades nas quais eu não acreditava, vi você brigar por ideais dos quais eu jamais compartilhei. A sua personalidade nunca chegou perto de ser parecida com a minha. Eu tentei mudar você, eu confesso. E obviamente mudar alguém nunca foi a atitude mais sensata, você só não mudou absolutamente nada, como eu percebi no final, que tentar mudar coisas em alguém é o mesmo que não amar, nem mesmo por amar, nem mesmo só de brincadeira. E percebi que eu na verdade, só queria lhe mudar na hora da raiva, porque na maioria do tempo eu conseguia a proeza de amar até os seus piores defeitos, o que ninguém conseguia entender, o que ninguém conseguia aceitar, o que causava estranheza. Eu amei. Cada detalhe. E sabe, eu realmente desacreditei de nós. Não havia jeito fácil ou que não fosse doloroso, para que duas pessoas completamente diferentes pudessem encontrar nas milhares de diferenças uma única coisa que acabasse por as manter juntas. Doeu. Foi mais difícil do que imaginávamos que seria. E eu continuo odiando muitas coisas em você, desde as suas repreensões a sua mania de brincar com a saúde, enquanto ainda está jovem o bastante para fazer disso uma diversão. Mas continuo aprendendo a amar suas peculiaridades, como o modo como seus olhos se perdem nos meus, ou a sua involuntária preocupação com o meu bem estar.

Já se passou algum tempo, desde que nos conhecemos. E eu ainda não sei se fomos feitos ou não para durar. Na maioria das vezes eu pendo mais para o lado do “não”outras tantas para o “sim”, mas a verdade é que independente do tempo, do eternizar ou durar apenas mais algumas semanas, no hoje eu posso dizer que gosto de lhe ter por perto. E isso é quase como amar. Ou talvez seja realmente como amar alguém. Não posso dizer que te amo sem antes ouvir isso de você, seria idiotice demais. Mas saiba que existe sentimento por aqui sim, e dos mais fortes. Capaz de transformar toda essa nossa história, quase num romance como os que vemos por aí. A única diferença é que ainda somos nós aqui. E que ainda ouvimos dos outros, a sonora afirmação de que “definitivamente não vamos durar”. Mas eles podem mesmo estar errados, não? ❤

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