I don’t feel you so close.

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Eu passei a sentir sua ausência gradativamente, pouco a pouco. Não foi naquele adeus desajeitado que você saiu da minha vida.  Acredite, definitivamente não foi mesmo. Na verdade foram longos dias, até eu finalmente perceber que você não estava mais por perto. Nos primeiros dias eu ainda sentia você aqui, na camiseta amarrotada em um canto qualquer do meu guarda roupa, na xícara de café esquecida sobre o livro de cabeceira, no perfume que ainda tomava conta de todo quarto, principalmente próximo ao grande espelho lateral, onde você costumava se arrumar.  Eu percebia você em todos os detalhes do que fomos “nós”, em todos os detalhes de que éramos feitos. Parecia que a nossa rotina ainda estava ali, você acordando sempre antes do despertador e eu me atrasando como todos os dias, em meus sonolentos “só mais cinco minutinhos”, o que de alguma forma acabava por te irritar.

Parecia que você ainda iria entrar porta a dentro, se jogar no sofá e sorrir exausto, após mais um dia de trabalho. Os seus sorrisos. Ah os sorrisos… eles sempre são os últimos fantasmas a deixarem nossa memória. E fica cada vez mais difícil com o passar dos dias, pensar naquilo que foi parte triste da história, é como se de repente tudo tivesse sido perfeito,  feliz, e só os sorrisos importassem de fato. Como um apego natural ao que foi bom, ao que valeu a pena, a aquilo que foi a melhor parte do que fomos nós.  Por isso os sorrisos sempre são os últimos a nos deixar,  para que até mesmo o mais triste dos adeus, não acabe por apagar a mais bonita das histórias já escrita por duas pessoas. Um incentivo as boas memórias.

Mas ao contrário dos sorrisos, a rotina é sempre a primeira a apresentar sinais evidentes de ausência.  Porque dia após dia, a nossa rotina não acontecia mais, era só a minha rotina agora, uma rotina diferente, mais solitária e um pouco mais vazia do que o normal. Minha mania de pensar em voz alta já não terminava com respostas suas aos meus devaneios particulares: Será possível que vai chover hoje de novo?…. “Sim, e é melhor pegar outro casaco, pode esfriar”. Eu nem sequer percebia que aos poucos, até essa minha mania, algo tão meu acabara por mudar, por que de alguma forma era também algo tão seu, tão nosso, que se perdeu no dia em que dissemos adeus. Uma ausência de sentido, em algo que antes, tinha todo sentido do mundo em se fazer presente no que éramos nós.

Eu já não pensava mais em voz alta depois de você, ao contrário comecei a engolir sentimentos e aumentar ainda mais os nós que se formavam em minha garganta. Como se estivesse perdida na bagunça que eu havia me tornado longe de você, como se ainda não tivesse muito a dizer, nem aos outros e muito menos a mim mesma. Meus pensamentos passaram a ser bagunçados demais para se dizer em voz alta, era uma bagunça da qual eu ainda não estava preparada para ouvir falar.

É, as  pessoas saem de nossas vidas e nós só sentimos a sua ausência com o passar dos dias mesmo. Estamos tão acostumados a presença, que os vazios parecem demorar um pouco mais do que o normal para aparecer. Fica primeiro o silêncio onde antes havia vozes, ruídos e o risadas dobradas. Fica depois o lugar vazio no outro canto do sofá da sala, dando a sensação de mais espaço, o que nem sempre é bom,  porque muitas vezes se sentir mais próximo é o mesmo que se sentir mais protegido, seguro. Fica. Muita coisa fica depois aliás. A discussão da nova temporada do seriado preferido, fica um pouco mais sem graça, o lado critico se recolhe pouco a pouco, e os argumentos ficam empoeirados, já não faz mais diferença torcer para o Rei do Norte, quando não tem alguém torcendo pelo contrário, só para te fazer revirar os olhos em sinal de indignação.

Os vazios chegam aos poucos, são sorrateiros e quando percebemos já estamos mais sozinhos do que nunca estivemos antes. Como se depois de dias ao sol, nossos olhos fossem apresentados a uma escuridão total,  e é desesperador quando você finalmente cai em si e percebe que perdeu algo, ou alguém. Não reagir é sempre a primeira reação, simplesmente por não saber o que pensar, por mais que a razão entenda o coração sempre demora um pouco mais a aceitar que de repente muita coisa vai mudar, mais uma vez. Recomeçar. Rebobinar. Reorganizar a vida, os sentimentos e o coração, de uma forma que a ausência não venha ferir tanto quanto ameaçou já na chegada.

Nem sempre nos perdemos no adeus, e que isso fique claro. Na maioria das vezes vamos nos perdendo da mesma forma que sentimentos o vazio chegar, gradativamente, pouco a pouco, dia após dia, até ficarmos apenas nós mesmos. Com a maioria das pessoas é assim. Nem ao menos sabemos o que nos atingiu, só percebemos a ferida quando ela está quase por cicatrizar. Chegamos a ficar indiferentes a dor, porque de alguma forma o amor sempre dói. Seja por excesso dele ou por sua completa escassez.

Nos embriagamos de coisas, sentimentos e planos compartilhados, e quando nos damos conta já não sabemos mais como se portar no individual. Recomeçar é sempre mais difícil, quando se recomeça sozinho. Falta o par de mãos extras, faltam as palavras e o habitual carinho que nos era compartilhado. As coisas perdem um pouco o sentido quando um dos personagens principais abandona a trama, os sentimentos mudam e os planos? Bem, esses definitivamente não saem do papel.  A maioria é substituído, na vã esperança de que os antigos planos, sentimentos e coisas, caiam de uma vez por todas no esquecimento.

Mas nem sempre um novo dia, traz um novo coração. Na verdade, o coração continua sempre o mesmo, da mesma forma que você ainda é você, mesmo que agora se sinta um tanto diferente, um tanto mais vazio, um tanto mais livre, experimentando de uma liberdade que de inicio é mais amarga do que o normal. A saudade nos coloca em extremos de nós mesmos, quando certa de ser saciada ela nos é companheira, aquece o coração e dá forças para aguardar o  esperado abraço. Mas quando acumulada sem previsão de saciar, ela nos destrói pouco a pouco, sufoca, entristece, até o dia em que para de doer, e se transforma em memória.  As melhores memórias também nos causam saudade, não seja ingênuo em pensar que não. Porém é saudade que se apresenta de um jeito diferente, de um jeito que dói menos, de um jeito que reconforta. Reconforta sempre, a cada vez que trazemos em mente um dos tantos sorrisos compartilhados nos fragmentos de quem fomos nós, nos fragmentos do nosso passado… compartilhado. ❤

 

 

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