gratitude.

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Clique aqui, para ouvir Make it to me – Sam Smith, Enquanto lê.

Precisei experimentar o mais amargo dos vazios, para perceber que pior do que não engolir o orgulho e dizer o que sinto, é ter muito à dizer e não ter absolutamente ninguém para ouvir. Existem vazios que não são preenchidos, não importa o quanto a vida passe, não importa o quanto o riso ecoe nos cômodos da casa, não importa o quanto você esteja cercado de pessoas, o vazio ainda estará lá. E não adianta tentar esconder, desviar o olhar ou fingir que ele não está ali, o vazio continua, a ferida continua aberta e fingir que ela não existe não estanca a dor, pelo contrário só faz doer ainda mais. Precisamos deixar de lado essa mania covarde de não enfrentar nossos próprios fantasmas, de não lutar por nossos ideais, de não mostrar as garras e duelar por nossos próprios corações. Correr atrás do nosso “Sim”, conquistar o nosso amanhã.

Ninguém consegue dizer, em que curva do caminho a sua vida vai tomar rumo diferente da pessoa que agora caminha do seu lado. Na maioria das vezes o caminho dela é oposto ao seu, e não convém espernear, quando a natureza assume o curso. O melhor é aceitar e seguir em frente com as memórias que ainda ficaram em você. A vida passa em um ritmo que cada vez mais é difícil acompanhar, parece que os ponteiros do relógio, ano após ano, resolvem acelerar o tempo ainda mais, e não há prece que os faça parar. O único recurso que temos é apreciar os pequenos momentos, a rotina, o arfar de pulmões, a brisa de outono que toca o rosto e nos faz arrepiar. Esses são os preciosos “intervalos” do nosso tempo, as memórias que cuidadosamente construímos e que nos fazem ser pelo menos um pouquinho, pelo menos por um momento, invencíveis ao tempo.  Se é que podemos o ousar ser.

Eu queria poder dizer que nós fomos invencíveis ao tempo, queria poder dizer que apesar dessa estrada cheia de curvas e desvios, ainda conseguimos nos manter lado a lado. Mas a verdade é que já faz um tempo que olho para os lados e não vejo você em nenhum lugar da estrada. Eu acho mesmo que eu te perdi. Ou melhor, que a gente se perdeu. Talvez eu tenha apressado demais em algum momento, ou talvez tenha sido o contrário. Talvez eu devesse ter feito uma ou duas paradas para apreciar a vista e dizer o quanto eu estava grata por ser você ali, comigo. Mas eu não o fiz, e talvez isso tenha te chateado. Ou vice versa. A verdade é que entre nós nunca houve nem nunca haverá culpados. Somos apenas dois pares de passos que deixaram pegadas em sentidos diferentes da estrada, mas que se olharmos com cuidado fica incrivelmente fácil perceber que uma boa parte do caminho, estivemos juntos. E foi a melhor caminhada que eu poderia ter experimentado. Acredite.

O tempo não é vilão, e seria egoísmo demais da minha parte, pedir para que ele te trouxesse de volta, sendo que na verdade ele nunca te levou de fato. As fotografias ainda contém nosso mesmo sorriso, as mãos unidas como se soltar nunca fosse uma opção, as palavras carregadas de afagos e abraços, quando a saudade era tamanha e a distância maior ainda, nós ainda estamos juntos em algumas memórias, talvez agora um pouco deturpadas pelo tempo ou pelo meu sentimentalismo barato. Mas ainda somos nós ali. E é bonito falar “nós” mesmo que seja em uma frase no passado, ao mencionar eu e você. Porque o amor nunca deixa de ser bonito, não importa a curva em que se perdeu, não importa os atropelos do relógio, não importa o quanto tenha aparecido pouco e quase se tornado uma participação especial no final do filme. Você foi protagonista de um dos meus longas  que foi sucesso de bilheteria, mas não teve continuação. Capítulo único. Primeira e ultima edição. Sorriso sincero que do porta retrato de cabeceira foi parar cuidadosamente na página de um dos meus álbuns de fotografia.

Você foi feito férias de verão, jeito leve, pés descalços caminhando na areia da praia, me recarregou as energias, me fez conhecer o que eu ainda não conhecia e depois foi embora, com sensação de dever cumprido. Com sorriso no rosto e nenhum, absolutamente nenhum arrependimento do quanto deixou, do que levou e do que viveu enquanto ainda estava aqui, enquanto ainda éramos nós. O vazio continua sim, e ainda não veio ninguém parecido ao molde seu, para tentar preencher o espaço, vez ou outra até dói, bate aquela saudade de caminhar ao lado de alguém que realmente pensa parecido, sonha parecido e tem ao menos um objetivo em comum. Vez ou outra ainda arde a ferida que dias antes parecia já ter cicatrizado. Mas tem muita memória boa para reviver, tem muita palavra solta que fica reverberando nos cômodos do coração. E quer saber? Aí fica fácil lembrar de como era simples dividir a vida com você. E o vazio logo se transforma em gratidão, por ter tido alguém feito você, por teu sorriso largo, por teus olhos ternos e aquele abraço que sempre foi tão difícil de soltar. Gratidão por termos sido nós, mesmo que num pequeno fragmento de tempo. Porque você foi importante demais,  foi alegria demais, para hoje ser transformado apenas em vazio e saudade. Eu te quero feito gratidão, porque amor nunca faltou, pelo contrário sempre teve de sobra. E vai ser sempre uma honra danada, recordar como foi dividir a história com você. Meu capítulo preferido, de uma história ainda cheia de tantos outros, que eu ainda estou aprendendo a escrever.

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