letter to someone who’s gone.

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O tempo verbal nas frases mudou, o que era presente agora ficou gravado em uma curva do passado. Ainda sai mais “É” do que “Era” na maioria das frases ao falar de você, não se acostuma tão fácil à deixar alguém como protagonista de uma história que já foi contada e terminou. É tão difícil entender e aceitar o fim de algumas histórias. Como num romance favorito, em que você se envolve tanto, que ao chegar nas últimas paginas cai em prantos por não querer experimentar o fim. Ainda mais quando o protagonista é/foi tão marcante quanto você foi, aí é mais difícil ainda. A sua história levou poucos anos para ser escrita, mas veio cheia de capítulos, cheia de detalhes e carregada de emoções, quase tão intensa quanto as histórias mais longas que presenciamos por aí. Sim, ela foi tão intensa quanto ou ainda mais. E as palavras? Bem, elas faltam nessa hora e não importa quão bom você seja com elas. A verdade é que existem sensações que somos incapazes de explicar, não se traduz, apenas se vive, como um passo de cada vez. E nem sempre é fácil dar o próximo passo. Ah meu amigo não é nada fácil.

As bases veem ao chão, e reconstruir leva tempo, mas a vida quase sempre nos apressa, mesmo quando o relógio parece entender seu coração e mover os ponteiros um pouco mais devagar, ainda assim a vida continua a correr, não se compadece, não para até você enxugar suas lágrimas e limpar a poeira das roupas por ter ido ao chão. É hora de se levantar. E há quem diga que a vida é curta demais. E pode até ser que sim, mas isso depende de como você aproveita ela, de como você a vive. E você viveu a sua com imensa maestria e intensidade, que ela até pareceu estender o tempo um pouco mais. Mas a verdade é que independente do tempo, do momento é da situação, para quem fica, sempre é cedo demais, precoce demais, inesperado e desesperador. Ficamos no presente junto aos sonhos interrompidos, junto aos planos que não saíram do papel, junto a saudade absurda que toma conta do ar, torna este rarefeito e nos sufoca.

Só Deus sabe o quanto é difícil respirar nessas horas. Porque de todos os tipos de saudades esse é sem duvidas o pior. É saudade que não tem como ser “matada”, que não tem abraço certo/prometido no futuro, ou distância física passível de ser percorrida para acontecer o encontro. Ah meu amigo, essa saudade é veneno, e se ingerida em grandes quantidades, pode vir a deixar sequelas que nem o tempo tem como resolver. Por isso é preciso focar no que foi bom. Sim, pegar a nossa caixinha de pequenos tesouros e jogar nela tudo que couber, os sorrisos compartilhamos, os momentos de descontração, as conversas sem nexo, aquelas mais sinceras, os abraços, os conselhos e até mesmo os surrados votos de felicidade em datas comemorativas. Porque é nesse momento que a mais simples das interações, mostra seu real significado, não pelo momento em si, mas pela pessoa que estava ao nosso lado naquele momento.

A rotina passa a valer bem mais, deixa de ser monótona e ganha um sentido ímpar em meio a mesmice de sempre. Quisera eu que sempre vivêssemos assim, e não só quando a dor da surpresa vem bater a nossa porta. É um aprendizado que não deveríamos esquecer tão cedo, da mesma forma que esquecer você, se torna quase impossível, por não querer, por nem mesmo a dor/a vida deixar, por ser completamente fora de questão “desviver” todos aqueles momentos. Porque mesmo na dor, mesmo na ausência, tudo ainda contém traços de história, traços de quem fomos, de quem somos e do que ficará quando já também, deixarmos de ser. O sorriso é feito moldura e envolve a maior parte das memórias, o som da gargalhada fácil, o ritmo que embalava as mais divertidas coreografias, e a música de sempre dedilhada e cantada ao pé da escada, com violão no colo e alegria contagiante no rosto.

Tudo isso é o que fica. Tudo isso e muito mais meu parceiro. Fica a cumplicidade, o entender com apenas um olhar, as aventuras que já não tem o mesmo sentido se não contadas por dois. É feito narrativa que se torna monólogo, por não ter mais com quem dividir o texto, com quem dividir a vida, da mesma forma que esta sempre foi dividida. A jovialidade de quem carregava uma alma leve, de quem muito fazia pelo outro sem pedir ou cobrar nada em troca. Os que ficam, experimentam uma solidão até então desconhecida. Experimentam algumas lágrimas ininterruptas e doloridas. Experimentam a estranha sensação de vazio esperando para ser preenchido, como quando alguém viaja mais uma hora sabemos que vai voltar, fica tudo no lugar, casa arrumada, abraço guardado, roupa lavada, fica tudo, mas não volta ninguém, não volta nada, nem mesmo o tempo volta.

E quando parece quase cicatrizar, se abre de novo a ferida e volta a doer em dobro, por perceber mesmo contra vontade, que aquele vazio, aquele em questão, não vai se preencher. Não tem mais data de retorno, não tem mais voz chamando no portão ou mensagem de texto convidando para o chopp no único lugar frequentado da cidadezinha interiorana. É a gente fica, com a missão de preservar as memórias, contar e recontar as histórias, para não deixar que o tempo esmague o nosso próprio coração ou as lembranças que ficaram de você. E vamos pouco a pouco aprendendo a lidar com esse vazio que não se preenche, com essa saudade que não se põe fim, com essas novas histórias que vão sendo escritas, e parecem sempre estar faltando um pedaço. Porque falta. E realmente vai sempre faltar.

Não importa o quanto o tempo passe, tem sentimento que não ameniza e tem ferida que não cicatriza, apenas adormece e vez ou outra acorda para nós fazer regar os olhos com lágrimas novamente. Quem vai, não parte sem nada como dizem por aí. Quem vai leva MUITO da gente, e deixa muito de si também.  E eu sei, que a vista deve ser linda daí. E o que conforta se é que há conforto pleno nessa hora, é saber que não há dor ou sofrimento ao seu redor. Só alegria e paz, do jeito que sempre deveria ser! Fiquei eu com as memórias e meu muito obrigada pela vida dividida aqui, foi presente, foi melhor que todos os meus pedidos de brinquedos no natal. Foi irmandade, foi companheirismo e foi amor não só pelos laços de sangue, mas por crescer lado a lado, por ver  o outro cometer seus maiores erros,  seus maiores acertos, e dividir todos, absolutamente todos os joelhos ralados. ❤

(Ao mais que eterno V.F.M)

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