do not let go of my hand.

tumblr_lt2pe99d7K1qduu34o1_500

 

Clique aqui, para ouvir I Know You Care – Ellie Goulding. Enquanto lê 🙂

Eu sempre gostei da forma como nossas mãos se encaixavam. Um gesto tão simples que dizia tanto mesmo assim. Soava como um “vamos?” em que você logo de cara, topava o convite. Vamos caminhar sem rumo, se perder nas horas. Vamos ser feliz sem demora, esquecer como voltar. Vamos ficar juntos só para variar. Vamos dividir alguns sorrisos, compartilhar beijos com gosto de café. Vamos? E você sempre ia. Caminhar de mãos dadas, era mais do que apenas dar as mãos, era acertar os passos, andar no mesmo ritmo, seguir a mesma direção. Tantas vezes deixando o outro guiar você, outras tantas se deixando ser guiado. Eu sempre gostei da forma como você não me deixava escapar, mesmo se eu me soltasse pouco a pouco, você logo segurava mais forte, e sorria como quem diz: Eu não vou te deixar ir, garota. E então eu ficava, sempre mais perto. Intercalando mãos unidas e abraços apertados. É, eu sempre gostei da sensação de ficar. Nunca foi minha intenção ir embora. Nunca foi minha intenção soltar a sua mão. Nunca foi minha intenção caminhar na direção oposta a sua. Mas a gente se perdeu. E eu fico tentando imaginar o porque, ou quando foi que isso aconteceu. Talvez meus olhos não houvessem sido diretos o bastante, quando te pediram para ficar. Talvez minhas mãos não estivessem quentes o bastante naquela manhã gelada, e isso de alguma forma acabou por te esfriar. Esfriar aquele calor que sempre foi tão nosso. Dois filhos do sol, que compartilhavam sorrisos mesmo debaixo de dias chuvosos.

Eu pensei ter ficado, quando você partiu sem mim pela primeira vez. Mas depois de alguns dias,  percebi que não me encontrava em canto algum, os sorrisos não apareciam, a voz entregava sinal de choro recente, e a falta de direção era o que mais me atormentava, a garota que sempre soube para onde ir, agora dava voltas sem sair do  lugar. Você havia levado parte de mim com você. E eu juro não ter ouvido o nosso”vamos?” dessa vez, mas parece que fui mesmo assim. Parte de mim foi embora com você, e a parte que ficou, se condena até hoje por não ter ido também. Você levou o essencial, o que dava cor, o que fazia sentido. E me deixou com a falta, o vazio e a visita diária  da saudade, que desde que você partiu, parece não me abandonar. Eu nunca pensei que você soltaria a minha mão, nunca pensei que eu deixaria você soltar, assim tão fácil. Mas você soltou e eu nem ao menos protestei. No fundo acho que eu já esperava por isso. E não, isso não é pessimismo. Acredite garota, aquela voz interior as vezes vale a pena ser ouvida. Peneirando bem o drama, ainda sobra algum sábio conselho que você pode ter deixado passar. Mas no fim, eu já sabia.

Sua mão de uns dias para cá, já não segurava a minha com a mesma força. E veja só nós dois, em alguns trechos do caminho até deixamos nos soltar um do outro. Um passo para longe, outros tantos mais devagar, e logo alguém já estava experimentando a sensação de ficar pouco a pouco para trás. Quisera não ter sido eu. Mas veja só, fui. Vi você experimentando o caminhar sozinho, vi você sorrir menos no final, vi você distante mesmo quando ainda estava perto. E esse, acredite, foi o pior tipo de solidão que eu poderia ter conhecido. A solidão compartilhada. Aquela presença física e a ausência emocional. Você por vezes,  ainda segurava minha mão, mas já havia desistido de segurar meu coração junto ao seu. E eu fui me perdendo aos poucos, em todos os sentidos possíveis da palavra. Me perdendo de mim mesma, ao me fitar janela a fora, indo embora pedaço por pedaço com você. Me perdendo na bagunça da rotina, sem saber em que direção dar o próximo passo. É estranha a sensação de se ter mãos livres e o coração vazio,  quando antes já havia provado do oposto. É estranha a sensação de não ouvir seu nome logo seguido do meu ou vice e versa, na conversa com os amigos. É estranha a sensação de estender a mão para o nosso tão conhecido: “vamos?”, e não sentir você a segurar em resposta. Você deixou de ir com o tempo. O nosso “vamos” foi aos poucos perdendo o seu plural. Fomos deixando de ser dois, pouco a pouco. Até ser apenas eu no final.

E hoje só eu sei, como é difícil ser só um “eu” depois de já ter sido “nós” com alguém. Alguém como você. ❤

VAMOS?

Anúncios

Diz aí que eu te escuto

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s