We already arrived? And now? Already?

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Nem sempre é fácil, colocar todos os seus sonhos em uma única  mala e sair. Ir passo a passo, para cada vez mais longe do que você sempre conheceu. A rotina que nos cerca é a mesma que nos mantém amparados, presos, familiarizados com aquilo que somos e com aquilo que conhecemos. Ao nos depararmos com possíveis novas situações a primeira reação com certeza é o medo. Porque o diferente nos assusta tanto? Até que ponto somos capazes de embarcar num sonho, custe o que custar? Hoje eu fiz minhas malas, depois de refazer inúmeras vezes nos últimos SETE dias. Confesso que tentei colocar muito de mim, muito do que eu deixava, muito daquilo que me fazia sentir em casa, sentir laços, sentir pertencente a determinado lugar. E o resultado? Bem, foi uma mala visivelmente abarrotada de coisas antigas, sem o menor suspiro de espaço para o novo, para o que eu ainda viria conhecer, para as experiências que ficariam.

Eu tive que pesar, por na balança literalmente o que eu esperava de tudo aquilo. Será que eu queria me preencher apenas de coisas antigas, sem dar espaço para o novo? Não, definitivamente isso não estava nos meus planos. Afinal, quais eram os meus planos? Ao mesmo tempo que o novo me amedrontava, ele me instigava. Aguçava minha curiosidade, como uma criança que de olhos vidrados assiste ao seu programa preferido na tv.  Eu queria conhecer um lado meu que ainda não havia experimentado, eu queria ver o mundo por outro ângulo, e conhecer pessoas que me acrescentassem histórias que ainda não tinha escutado. Eu queria ver meu sonho se tornar palpável e totalmente alcançável, com um simples esticar de braços em um abraço demorado. Foi então que  tomei coragem, e fiz minhas malas. Sim, joguei algumas peças de roupas preferidas para dentro e deixei espaços para o que viria depois.  Respirei fundo, pausadas e incontáveis vezes. Até sentir meu coração sossegar e minhas mãos pararem com a velha teimosia de suar frio.

É estranha a sensação de ser só você, um par de malas e o mundo. Parece que falta aquela segurança do teto, das quatro paredes que te cercam, parece que o mundo por mais  sereno que seja, sempre fica um tanto escuro demais a noite. E o breu por vezes, ameaça assustar. Mas é por pouco tempo, você vai ver. O sol sempre ilumina tudo na manhã seguinte. E quando o medo finalmente resolve ceder, é que você percebe que o seu teto, que a sua segurança sempre esteve dentro de você. E então, você se sente incrivelmente mais forte e capaz. Capaz de correr atrás de um sonho, de falar o que sente, de provar gostos ate então estranhos ao seu paladar, de experimentar o novo e as surpresas que viriam com ele.  Hoje eu segurei firme nas alças da minha surrada mala de viagem marrom e coloquei meus pés na estrada. Alcei um voo que jamais ousei alçar. E naquela mistura de azul e branco, eu me vi deixando um lar para trás, em busca de mais um pedaço de mundo, para ser chamado de casa. Seja dentro de quatro paredes até então estranhas, ou dentro de um coração qualquer, até então aparentemente incompatível com o meu, mas que no fim, encaixava. E nem eu mesma sabia como isso era possível.

Eu me permiti mudar, ser mudada, ser aperfeiçoada pelo novo. Eu me desapeguei um pouco das minhas velhas antiguidades e abri espaço na bagagem de mão, para um velho caderno onde eu escreveria novas histórias. Minhas histórias, contendo eu’s ou nós, sem o mínimo limite de linhas ou preocupação em soar chato demais, detalhado demais, adocicado demais. Eu escreveria histórias, nas linhas do caderno já todo rabiscado e nas paredes da memória, já tão empoeiradas por falta de urgências que as preenchessem. Embarquei. No medo. Na aventura. No voo. Na certeza. No sonho. Fiz minhas malas e deixei um novo pedaço de mundo ser meu lar. Abri espaço na história para novos nós, não importa quão cheio já estivesse o roteiro, não importa quanto mudasse o curso da história. Eu definitivamente não me importava em tomar atalhos ou caminhos mais longos. Eu me permitiria ser alterada. Reeditada. Acrescentada por novos capítulos. Tudo na certeza de estar vivendo algo novo, algo que me roubasse o ar, que me fizesse outra vez reaprender a velha natureza do suspirar algo bom, algo apaixonante, algo belo.

Fazer as malas as vezes é necessário. Mesmo quando não se tem a intenção de sair do lugar. Fazer as malas sentimentais, de itens e sentimentos essenciais. Fazer a lista de itens e pessoas, sem a insegurança e o medo de riscar o que nesse momento, não é importante acrescentar na mala outra vez. O tempo passa e quanto a isso não podemos fazer nada. A única certeza que temos é que nós passamos com ele, e mudamos,em todas as vezes. Fazer as malas é realmente necessário. Sim, acredite. Você precisa se desfazer de algumas antiguidades, de rostos já ausentes, de personagens esquecidos, perdidos. E deixar o novo chegar. Abrir espaço, no guarda roupa, na mesa de cabeceira, no coração. Tentar encontrar segurança em você mesmo, para que magicamente, não importando o lugar, você possa se sentir em casa, segura, e inteira a todo momento. Mesmo que seja tantas vezes só você com você mesma. Outra vez.

Hoje eu aceitei o medo. O frio na barriga. As mãos trêmulas e os olhos marejados ao olhar para trás no saguão do aeroporto. É, eu resolvi viver um sonho. Com minhas malas um tanto mais leves, com uma ânsia de novas histórias para contar. O mundo vive tentando nos dar fórmulas caseiras para tudo que acontece ao nosso redor, basta procurar e você sempre vai encontrar alguém, discutindo o mesmo assunto que você, o mesmo problema que você. É tudo tão instantâneo, acessível e real. Quase como uma realidade paralela a sua. Por isso, pare de ser tão assustado, encare seus medos, chame o mundo para uma conversa, e perceba que tudo que realmente conta no final, são as suas próprias histórias, são suas vivências, seus trejeitos e sua maneira de se adaptar ao mundo, até ao mais estranho deles. Não tenha medo. Busque auxilio, em você, nos outros, busque algo novo. E Sempre. Sempre com coração leve e olhos carregados de certeza de quem realmente sabe o que quer. Hoje eu treinei a pronuncia e sorri dizendo: “Sláinte”, é a minha hora de brindar. Fui viver um sonho, de coração e bagagens mais leves. Eu fui sonhar.

 

Ps: Pega o controle da vida. O botão de Pause, é aquele que fica um pouco antes do botão de Play. Tem roteiros que precisam de alguns pauses no caminho. Assim como vale sim, a pena dar Play num sonho qualquer da velha lista de cabeceira, só para ver no que dá. E sempre dá algo bom, na menor das hipóteses o melhor e maior sorriso no rosto. Good Trip. Good luck. Good dream!

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