The complex way of being me and you.

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Eu conheci você. E nessa época eu ainda me conhecia. Conhecia o que meu coração dizia, e sabia que dentre todas as coisas, a que ele mais tinha certeza, era o fato de querer você. Então eu te queria. Eu te queria com cada centímetro de mim mesma. Aprendi a anular meus medos e com cuidado te ajudar a vencer os seus. Nenhum de nós era mais forte que o outro, mas foi no encontro das nossas fraquezas que percebemos o quanto éramos mais fortes caminhando juntos. E foi essa força, que nos fez derrotar medo por medo. É, a gente detonou. Você de início me dizia que era cedo demais. Não queria acreditar que da tarde boêmia no centro da cidade, pudesse esperar mais do que a cerveja de sempre. Já eu tive a certeza de que naquele esbarrar de olhos, eu me perdi. E você ganhou parte de mim. Parte a qual nem eu mesma sabia, que existia, ou que pudesse ser entregue a alguém assim. Da forma como eu entreguei à você.

Mas lá estava você.E eu?  Eu decifrei cada um dos seus sorrisos. O sorriso leve e despreocupado, o sorriso de ‘está tudo bem’ quando na verdade não estava nada bem, o sorriso empolgado que entregava aquele copo saideira no happy hour, o sorriso sereno de que apesar do cansaço do corpo, a alma estava completamente relaxada. Eu conhecia o que você dizia, mesmo quando não dizia uma única palavra. Aprendi a respeitar o seu silêncio e a fazer barulho quando percebia que você, precisava abafar ruídos que vinham de dentro de si mesmo. Eu aprendi a te amar, quando já havia perdido a fé no amor. E só eu sei o quando isso soou a esperança. É eu sei que tudo pode parecer besteira, sei que o tempo as vezes parece afastar ao invés de aproximar. Mas a medida que a saudade aumenta proporcionalmente a distância, deve ser um bom sinal, não é? Eu senti sua falta naquela viagem do feriado, na noite de chuva e jogo dos Yankes na tv, no travesseiro vazio do meu lado cheirando roupa de cama recém lavada, e não algum perfume seu.

Passei a ver a vida em par e fazer planos. Logo eu, que nunca gostei de planejar um futuro incerto tendo a certeza só do hoje, e nada mais. O amanhã nunca esteve ao nosso alcance, até o primeiro abrir de olhos na manhã seguinte, até o inflar de pulmões no primeiro ‘bom dia’, ainda com voz sonolenta. Antes disso o amanhã não estava ali. Era como algo que esperávamos, mas só ia estar ali… amanhã. Porém com você,  meu hoje pareceu se inundar de ‘amanhãs’. Sim, era como se o amanhã fosse logo ali e fosse todo nosso. Um mundo de infinitas possibilidades bem ao alcance das nossas mãos. Eu e você, vivendo o melhor que podíamos ser de nós mesmos. Você adoçando meus dias mais amargos  e eu metralhando a sua paciência com a minha teimosia, digna de artilharia pesada. Ninguém poderia dizer, que não éramos uma boa dupla. Porque nós éramos.

Eu conheci seus mistérios, seu vício por café preto, sua barba por fazer colorindo em tons de vermelho o meu rosto, a cada beijo. Eu redesenhei suas tatuagens com a ponta dos dedos e alimentei minha curiosidade, com as suas histórias. Conheci em cada uma delas, uma forma sua de se traduzir em letras, contornos e desenhos, vendo a sua própria pele me contar coisas novas sobre você. Você foi a bagunça mais organizada que chegou na minha vida. Tirou todas as coisas do lugar, amontoou num canto e escolheu a sua maneira, um canto em mim para chamar de seu. Pouco a pouco, o canto cresceu e quando dei por mim, já era um cômodo inteiro. Repleto de você.

Sabe eu tive dúvidas. Todas aquelas perguntas aparentemente sem respostas que chegam junto com o sentimento. Como se, parte de mim, tentasse explicar à outra parte de mim, que era normal se sentir assim. Que tudo bem. Que tudo ainda, estava sob controle.E que você não era nenhum tipo de ameaça. É foi desesperador. Sentir receio e amor, tudo ao mesmo tempo. Mas eu sempre tive a consciência de que mais desesperador que isso, era não sentir nada. Eu queria amar, sem sentir medo de sofrer. Sorte a minha que eu sentia. Sorte a minha que era você, por você. Sorte a minha que eu sabia, no fundo o amor pode vir, sem necessariamente fazer você sofrer. É, eu quis que você conhecesse o meu melhor, mas em momento algum, esperei esconder de você o meu pior. Você dizia que gostava da forma como eu me revestia da minha transparência, gostava de como conseguia ver através dela, o começo e o fim de quem eu era. Deixando clara a linha tênue entre meus maiores medos, e meus maiores sonhos.

Eu te conheci na sua família, nos seus amigos e nos seus vilões do cinema preferidos. Soube quem você era, quando você jurava ter mudado tanto, a ponto de não se reconhecer mais. Eu sabia que seu cabelo bagunçado nem sempre era sinal de briga com o despertador, era só estado de espírito igualmente bagunçado mesmo. Eu sabia absolutamente tudo sobre você. Me atentei a cada detalhe, remexi cada fundo de gaveta, observei cada gesto e expressão que você distraidamente apresentava. Não havia nada em você que eu não conhecesse.  Ainda lembro daqueles olhos, dos lábios trêmulos e jeito de quem estava abarrotado de palavras e mesmo assim não sabia o que dizer, como dizer. Até que você finalmente confessou que já não me conhecia. Eu me ocupei tanto conhecendo cada fase de você, que acabei me perdendo no caminho. Fiquei parada, em alguma fase minha. Deixei você esquecer de quem eu era, de como eu era, e de como era estar comigo. E acabei deixando de me conhecer. É eu também me sentia uma estranha.

Não sabia mais quem eu era antes de você. Me vi perdida entre um enorme vazio de com e sem você, entre a minha história e a sua, uma mistura estranhamente sufocante. Confesso que meu medo mudou um pouco a raiz, passei a não temer o amor, nem a dor. E comecei a temer o auto esquecimento. Tudo bem amar alguém, tudo bem se doar por inteiro. Mas não é nada boa a sensação de perder a si mesma no caminho. Eu havia esquecido como era ser eu, como era sonhar por si mesma outra vez, como era não esperar nada de ninguém, e sim correr atrás de tudo que quiser pelas suas próprias forças. É eu amava você. Mas seria tolice não amar a mim mesma em primeiro lugar. Naquele dia, em que a sua voz faltou e você perdeu o jeito com as palavras. Eu me reencontrei. Terminei de dizer aquilo tudo que você não conseguiria. E jurei para mim mesma, que para preservar o melhor do que fomos, precisávamos preservar o melhor de nós dois. Separados. Eu cuidando de me redescobrir e você cuidando de recomeçar. Uma história dando sequência a duas vidas. Já que duas vidas não puderam dar sequência a mesma história.

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