Sorry, I fell in love

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Quando eu menos esperava você apareceu, me fazendo perceber que essa coisa de esperar pela pessoa certa é bobagem. Não existe pessoa certa. Não existe par perfeito. Existe apenas uma pessoa um tanto errada, lutando com unhas e dentes para fazer dar certo, para ser o seu certo, aquilo que você esperava. Naquele beijo roubado, você acabou roubando também um coração, mesmo não tendo a intenção, algumas coisas acontecem quando têm de acontecer. Foi o momento exato. Foi quando eu percebi no seu sorriso, que o cara tímido dos corredores pálidos da faculdade, já estava na minha vida a mais tempo do que eu sequer imaginava. Você sempre esteve adormecido ali, sempre esteve por perto, sempre esbarrou comigo nas ruas agitadas da cidade sem que eu notasse seus olhos do outro lado da esquina. Sempre foi a pessoa que estava por perto quando meu olhar de canto media a multidão enquanto eu subia as escadas apressada e atrasada para a próxima aula.

Aconteceu. Quando tinha que acontecer. E veio para mudar. Me tirou da zona de conforto, me fez conhecer as coisas sob um novo ângulo, ver a vida em outro ritmo, cantarolar novas canções. Me deixei subscrever em letras de um desconhecido, de cabelos loiros compridos, e gingado de quem se entrega por inteiro, letras de quem sente por inteiro também. Um inteiro que eu aprendia dia a dia a sentir com você. Por você. Por quem você me levava ser. Dois lados opostos. Duas pessoas completamente opostas. Você parecia nativo de um planeta que eu não conhecia, mas o qual eu sempre quis visitar. Suas crenças nem de longe pareciam com as minhas. Dono de uma personalidade forte, constante e imutável. Tão singularmente única, que ao mesmo tempo que assustava também se apresentava linda. Absurdamente linda e apaixonante. E me fez apaixonar. A voz rouca que repetia a mesma frase, na mesma mensagem salva no celular. Kit de sobrevivência de um coração com possíveis traumas de saudade. Voz que embalava sonos, sonhos e instigava vontades. Voz que dublava o dono dos longos cabelos loiros compridos, num silêncio interrompido por sorrisos e retoques no penteado.

É só eu sei, da dádiva de ter conhecido você. O perfume que ficava após o abraço. A jaqueta que fugia da lavanderia nas outras tantas semanas seguintes, até que o perfume fosse totalmente evaporado. Uma peça de roupa inundada com resquícios de quem inundou um coração e provocou estragos. Dos planos é que eu sinto mais saudade. Porque planos são vazios de realidades de nunca chegaram a existir. Mas que ardem tanto. Mas que incomodam tanto. Mas que ainda estão ali, nos planos interrompidos, nas juras de amor vencidas que nem sequer imaginaram ter prazo de validade, nas promessas quebradas e em tudo aquilo que era inteiro e se partiu. Quando você decidiu sair… Bem. Hoje, canções ainda ecoam, a melodia ainda é a mesma mas falta alguma coisa. Falta o abraço demorado, a música cantada ao pé do ouvido. Falta. E sabe Deus até quando irá faltar. Nesse crime não há culpados, não há prisões que matem o que um dia foi plantado, em terra fértil, em coração que confiou, acreditou, e fez de tudo aquilo que recebeu uma verdade. Mesmo sem ser verdade. Mesmo sendo correspondido só pela metade.

No início foi estranho eu confesso, ficar lá, olhando na mesma direção esperando a hora de você chegar. Quando você já se encontrava há tão longe dali. Quando você nem ao menos quis voltar. Vai ver foi apenas mania, velhos hábitos, resquícios de sentimento que pouco a pouco se dissipam, eu espero. Você não chegou. E não vai chegar. Hoje eu sei disso. Os olhos verdes e a covinha do sorriso, aquele meio de lado, ainda atormentam meu sono. Gosto dessas suas ‘cheganças’ em sonhos que na manhã seguinte me presenteiam com o acordar. Luz do sol pela janela e manhãs cheias de memórias. Vez ou outras as fotografias surgem e a saudade diz ‘olá’. Eu tentei dizer adeus, você nem sequer imagina o quanto eu tentei. Mas acabei na tentativa me apaixonando por tudo aquilo que continha um pouco de você. As canções, os lugares. Eu esqueci do seu perfume, esqueci da sua pele, esqueci do som que tinha o seu sorriso. Esqueci de tantos detalhes nos quais me agarrei mas não pude segurar por tanto tempo assim.

Eu gostava do dourado dos seus fios, das suas estampas, e da tua insegurança tão parecida com a minha. Dividia seus medos, acreditava em você quando você já estava quase desistindo. Eu me anulava na saudade para não deixar que a distância nos anulasse dia após dia. A verdade é que esses encontros casuais ainda me matam. A verdade é que a pronúncia do seu nome ainda me deixa desconfortável. A verdade é que as minhas canções preferidas ainda me marejam os olhos ao lembrar de você. A verdade é que há fantasmas teus em todos os cantos do meu peito. Em lugares nos quais eu até me surpreendo. Você sem querer acabou sendo uma intensidade que eu não conhecia. Mas que me marcou, mais fundo do que eu esperava. Você é tão diferente de mim. Tão entusiasmado, festivo e jovial. Enquanto eu na minha timidez, calmaria e seriedade, ainda assim consegui me apaixonar por você. Sem querer, eu juro! Sinto falta dos seus excessos de corações feitos de S e números 2 nas frases. Sinto falta das suas semanas de provas intermináveis. Do meu ciúme e dos seus galanteios.

A verdade é que eu sinto falta de tudo. De você. E não consigo me prender na parte que foi ruim, não consigo me prender nas lágrimas, na imagem de você me dando as costas naquela noite sem estrelas. Não consigo. Não consigo me prender no seu adeus. Nas suas palavras mais rudes e no seu cinismo. Não consigo me prender na sua má vontade, nas suas conquistas baratas, na sua falta de interesse nos meus sonhos e naquilo que diz respeito a mim. Como num bloqueio idiota e apaixonado, parece que o contrato por você assinado, só me deixa me prender nas coisas boas. E todo resto fica engavetado, mágoas não devem nunca ficar à vista, é o que o contrato diz. Eu sou um pouco do que fui com você, do que era antes de você e do que sou agora, com as nossas lembranças. E você? Você ainda é você, meu maior clichê, minha maior surpresa, meu sol loiro em meio a toda essa névoa cinza dessa cidade tão sem cor. Sigo esperando o dia que eu te sinta tão longe, tão longe, que ESQUEÇA completamente como foi te ter, e te querer por perto. Que chegue em breve o dia, em que você acabe sendo apenas uma saudade boa, de algo que definitivamente não tem mais a pretensão de voltar atrás, voltar para mim. Eu me apaixonei. E foi lindo, você me fez sentir viva outra vez. Agora eu só espero que todo resquício dessa paixão acabe logo, para que eu possa só dessa vez, me sentir só eu comigo mesma, como eu era antes de você. ❤

 

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