A smile and a single person.

tumblr_lhekuertye1qfamjlo1_500

Clique aqui, para ouvir People help the people – Birdy. ❤

Soa clichê eu sei, dizer o quanto ele era diferente dos demais. Mas eu aceito o risco, que soe clichê, que repita velhos bordões e que eu me vista novamente do surrado amor bobo. Ele realmente era diferente dos demais. Tantos outros passaram, levaram tanto de mim e me deixaram com tão pouco de si mesmos, de alguns nem sequer as lembranças perduraram. Feito folhas secas que são arrastadas pelo vento de outono, uma a uma elas se foram, e pouco a pouco era como se eles nunca tivessem de fato existido. Ao contrário dele. Sim, ele chegou e me reinventou. E eu que já estava tão cansada da minha velha versão de mim mesma, ganhei uma nova edição. Conheci lados meus que eu nem sabia que existiam, vi desabrochar pouco a pouco um sentimento que eu nem sequer sabia, que era possível sentir por alguém. Me apaixonei. Na mais sincera e inesperada certeza. Sim, eu tive absoluta certeza de que era ele, assim que ele colocou os pés na minha vida.

Não sei se foi o sorriso, ou quem sabe os olhos amendoados e castanhos me encarando naquelas fotografias. Talvez ainda, tenha sido a barba por fazer, ou quem sabe a mistura de cores daquela camisa xadrez toda amarrotada que ele vestia. Pode ter sido o humor leve, aquele jeito cativo de ver a vida que acontecia diante dos seus olhos, com a mesma sede de quem cuidadosamente regava os sonhos esperando pelo futuro. Ele parecia entender a maestria de viver o hoje com uma intensidade de quem realmente, não sabe do amanhã. Sem brechas para arrependimentos tardios, sem meias palavras, sem sentimentos engavetados. Ele era todo. O tempo todo, ele era ele. Por inteiro. Se doando pedaço por pedaço naquilo que acreditava e naquilo que sentia. Uma pessoa capaz de preencher até os seus espaços mais esquecidos e inabitados. Alguém que quando chegava, desfazia as malas sem medo, sem pressa de continuar a viagem. Era para ficar, pelo tempo que ele tivesse de ficar. Um dia ou dois, quem sabe ainda o mês inteiro. Não importa. Quando ele chegava, ele ficava por inteiro.

Algumas pessoas tem a sutileza de nos conhecer nos detalhes, perceber no nosso silêncio todas aquelas palavras que ficaram enroscadas na garganta. Ele era assim. Toda vez eu engolia uma frase ou outra. Quem sabe, por medo da resposta, por medo de dar a entonação equivocada, por não ser exatamente o que o outro queria ouvir, ele ainda assim me ‘ouvia’.  Sorria, e respondia com outra frase solta, uma das minhas tantas perguntas que não foram feitas por falta de coragem. Quase como se conseguisse entender o que eu sentia. Como se sentimento agora, transpirasse pelos nossos poros e deixasse nosso coração evidente aos olhos do outro alguém. Eu me sentia assim, na vitrine, transparente, à mostra, completamente exposta perto dele. E não me envergonhava nenhum pouco disso. Não havia porque esconder parte de quem eu era, se ele jamais pareceu se importar com os meus defeitos.  Não importa se teve beijo ou se não teve. Não importa se o abraço terminou antes que você pudesse abrir os olhos outra vez. Não importa o quanto esse amor teve de platônico ou o quanto ele foi correspondido. Aconteceu. Não importa se teve platéia, felicitações de amigos em redes sociais, ou se nunca saiu além das fronteiras de nós dois. Ele estava ali. Eu estava ali. E pelo menos naquele momento éramos dois, sendo mais do que tantas outras pessoas eram, foram, ou seriam ao longo da vida.

Ele me ganhou. Arrebatou no primeiro lance e olha que eu nem sequer havia chegado ao meu melhor valor. Mas ele já sabia antes mesmo de mim mesma, que as pessoas valem aquilo que elas se permitem valer. Eu sabia o quanto ele valia para mim e vice versa. Dávamos àquele encontro de almas, o valor que ele merecia ter. Ele me ganhou nas palavras, no jeito sereno de dizer não só o que eu queria, mas também o que eu precisava ouvir. Ele me ganhou nos gostos em comum e até mesmo naquilo que a gente diferia, mas  que ainda assim fazia com que nós fizemos todo sentido juntos. Ele me ganhou na descrição única dos comerciais da TV, nos relatos da noite dos cuecas na casa dos amigos, no boa noite em que ninguém queria ser o primeiro a ir dormir, mesmo com o sono batendo à porta. Ele era único. Da forma mais única que alguém conseguiria ser. Ele me ganhou na playlist de musica irlandesa, na trila sonora dos meus filmes preferidos. Ele me ganhou na correria do dia a dia, na ausência planejada e na saudade que não estava nos planos. Mas que mesmo assim eu senti. E sinto. E continuarei sentindo. De alguém que não teve a pretensão de chegar mais chegou, desfez as malas e ficou, mas um dia teve que partir. É, deixe soar como clichê, deixe soar como saudade, quem sabe até como um ‘eu amei você’, deixe soar. E quem sabe um dia, tudo isso se torne eco e chegue até você. ❤

Anúncios

Diz aí que eu te escuto

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s