I do not accept, say no!

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Não, a minha mini saia não é para te provocar. Não, eu não me sinto admirada com todos esses seus olhares nas partes descobertas do meu corpo. Não, eu não quero seus elogios, muito menos ser chamada de princesa como se isso fosse amenizar o quão enojada fico em ouvir seus comentários. Não, eu não estou interessada em ouvir seus assobios enquanto faço minha caminhada pelo parque. Não, eu não quero suas mãos imundas tentando qualquer contato indesejado com meu corpo. Não, eu não aceito o assédio. Quero que saiba que minha roupa curta não diminui meu caráter. Quero que saiba que a falta de pano em algumas das minhas peças de roupa, não justifica sua falta de respeito ao me encarar. Quero que saiba que minha auto estima definitivamente não é regada dos seus elogios. Por isso pare. Pare de me assediar.

Olhares que constrangem são assédio, sim. Não importa o quanto disfarce acredite eu vou notar, e ao contrário do que pensa: não eu não vou gostar. Não sou princesa, delicia, gostosa, docinho, muito menos um pedaço de carne em exposição no açougue do supermercado. Por isso pare. Pare de me assediar. Não, eu não quero me privar do meu shorts curto, naquele início de verão só para não ter de engolir seus olhares sobre mim. Não, eu não quero abrir meu armário e pensar duas vezes em vestir aquela minha mini saia, só porque isso pode de alguma forma te chamar a atenção. Por isso pare. Pare de me assediar. Não, eu não quero aposentar meu decote porque ele de alguma forma te inquieta. Não, eu não quero trocar de transporte, porque meu vestido curto lhe soa como sinal verde para me tocar. Por isso pare. Pare de me assediar.

Sou mulher. E não, eu não aceito o seu assédio. Sua falta de respeito me agride. Suas palavras chulas me enojam. Seus olhares curiosos me constrangem. Seus assobios me envergonham. Por isso pare. Pare de me assediar. Sou mulher. Sou livre. Por isso não me insulte dizendo que escolho minhas roupas tentando te provocar. Sou mulher. Sou livre. Por isso não tente diminuir a gravidade da sua agressão, alegando que ‘olhar não tira pedaços’. Tira sim. Saiba você, que o silêncio dos seus olhares constrangem tanto e quanto suas palavras mal medidas. Por isso pare. Pare de me assediar. O assédio sexual existe sim. A maioria até o pratica sem ao menos se importar. O assédio não é bobagem. Não é besteira. Não é mal humor por parte de quem se recusa a aceitar. Assédio é crime, sim. Assédio é agressão, sim. Assédio é ladrão silencioso, que sorrateiramente passa como ‘despercebido’ e causa estragos que só quem é vítima dele, sabe pesar a verdadeira medida que tem.

Sou mulher. E não, eu não aceito o seu assédio. Não quero que me roube um beijo. Isso não é romantismo. Isso é agressão,  se para esse beijo não tiver minha permissão. Não, eu não quero que a intensidade do meu batom vermelho lhe sirva como sinal de alerta, sobre o quanto pode achar ter direitos sobre mim. Não, eu não quero que minha embriaguez naquela festa lhe sirva de pretexto para usar meu corpo, como se fosse objeto. Por isso pare. Pare de me assediar. Meu corpo não é objeto para seu divertimento. Meu corpo não é atração de circo. Meu corpo é só meu e de mais ninguém. Meu corpo exposto não lhe dá o direito de expor seus pensamentos pejorativos sobre mim. Meu corpo exposto não lhe dá o direito de pensar que você tem de fato algum direito sobre mim. Por isso pare. Pare de me assediar. Enquanto houver pessoas que não entendem a gravidade de atitudes como essas, haverá assédio. E enquanto houver assédio, haverão mulheres tendo de mudar o próprio jeito de se vestir para não serem agredidas, verbal e fisicamente. É preciso ter ciência de que palavras agridem tanto quanto o ato em si. Seu assédio verbal também é violência. Por isso pare. Pare de me assediar.

Não, eu não sou fácil. Não, eu não sou vagabunda. Não, eu não uso roupas curtas para chamar a sua atenção. Não, eu não uso meu corpo para te provocar. A única coisa que é usada aqui e não cai nada bem, é essa sua mania de achar que seu assédio é insignificante e não faz mal a ninguém. Faz mal sim. A mim. Que definitivamente não sou obrigada a ouvir assobios asquerosos em cada esquina que eu passar. Não sou obrigada a encarar os seus olhares examinadores sobre mim. Não sou obrigada a aceitar o seu assédio. Não sou obrigada a aceitar seu toque. Sua violência. Suas palavras. Isso tudo é crime. É nojento. É desrespeitoso. E não, eu não aceito o seu assédio. Por isso pare. Pare de me assediar.

Assédio sexual é crime, denuncie. Não fique em silêncio!

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Diz aí que eu te escuto

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