I wish, for me and for you.

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Clique aqui  para ouvir: A Song About Love – Jake Bugg – Enquanto lê! 🙂

 

Quem me dera se todo amor fosse como na tela do cinema, acertos e tropeços. E os acertos, se sobressaindo no final. Quem me dera se todo primeiro beijo tivesse gosto de verão. Quem me dera se toda garota fosse feito musa de canção. A quem se endereça poesia, rima, e melodia. Só amor e mais nada. Quem me dera se toda paixão tivesse uma queda pelo impossível. E despertasse no peito alheio, a vontade de desafiar as leis que a própria vida impõe.  Quem me dera se todo olhar fosse de afago e todo afago começasse pelo olhar. Quem me dera se todas as mãos, permanecessem unidas, seja na prece ou no passo à passo despreocupado pela avenida. Quem me dera se toda manhã o despertador despertasse à vida ao invés do sono. Quem me dera se toda liberdade convidasse um sorriso para brincar ao invés da solidão. Um novo viés nasceria. Quem sabe se chamaria só liberdade e cia ao invés de solidão.

Quem me dera se todo livro viesse com final feliz. Um aviso em letras garrafais no prólogo ajuda, mais ninguém mais sabe o que o outro enfim procura. Quem me dera, quem me dera… Quem me dera se o mundo fosse só paz e gaivotas brancas no cais. Ora veja só, tudo seria mais fácil se na guerra e na vida, não necessariamente o sorriso de um fosse em resposta ao choro do outro. Quem me dera se toda distância fosse nula, e todo abraço ultrapassasse as fronteiras com um só passo para acontecer. Quem me dera se toda palavra fosse amiga e todo amigo surgisse de algumas palavras soltas por aí. Quem me dera se a leveza assumisse seu papel de diretor e finalmente nesse filme, aposentasse a velha mania da dor,  de viver sempre a pesar nossos dias. Quem me dera se todo florista lucrasse mais com despretensiosidade do que com funerais. E toda pessoa lembrasse em vida, a diferença que a vida do outro faz. Quem me dera se toda ligação trouxesse apenas boas notícias. Quem me dera se toda saudade não se amedrontasse com o orgulho. E  todo orgulho vencesse o medo de demonstrar sentir saudade.

Quem me dera se a verdade por detrás das fotografias fosse vida, ao invés de estúdios e cenas montadas para parecer com vida de verdade. Quem me dera se todo perfil em rede social, fosse menos história e mais pessoa por inteiro. Quem me dera se todo sorriso fosse sincero e o sarcasmo perdesse com o tempo, o velho jeito de sorrir.  Quem me dera se toda vida fosse vista como um atentado ao vício ao invés de tanto vício servindo de atentado à vida. Quem me dera se todo casal fosse feito só de dois, e todos esses coadjuvantes sortidos e soltos aprendessem a hora exata de sair de cena. Quem me dera se toda lista de sonhos se tornasse real, e que metade dessa lista fosse sonho de verdade e não bem material. Quem me dera se os sentimentos fossem menos palpáveis e mais inexplicáveis. Quem me dera se toda fala fosse calmaria e não só amontoados de palavras servindo apenas de tempestade. Quem me dera se toda escolha fosse seguida de respeito. E que para ter o seu respeito eu não precisasse anular minhas escolhas.

Quem me dera se todas as canções fossem mais conteúdo e menos apologias. Quem me dera se toda mágoa fosse como rabisco que borracha apaga do papel. Ou que pelo menos  fosse melhor pensada antes de ser proferida. Quem me dera se todo preconceito fosse só quimera.  E que ao invés de prejulgar alguém, toda pessoa começasse por primeiramente julgar a sua própria vida. Quem me dera se toda miséria fosse só lenda, daquelas que contamos para amedrontar alguém. Quem me dera que na busca pela felicidade toda pessoa percebesse, que em determinada parte do caminho já é possível ser feliz. Não se prender as placas e aos atalhos te faz livre para realmente perceber o que é felicidade.  Quem me dera se toda cena de teatro acabasse com o fechar das cortinas vermelhas, e que todas as pessoas aprendessem que máscaras só caem bem mesmo na vida artística.  Quem me dera. Quem me dera… Quem me dera enfim, que o mundo todo fosse menos arisco e também menos sensível. Onde todos pudessem encontrar um jeito, um  lugar e um espaço para chamar de seu. Sem que para isso seja preciso lançar mão de forças e armas reais, que interfiram no jeito, lugar e no espaço do outro. No direito do outro também chamar de seu. Quem me dera.

 

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