Eu cresci, mas o mundo ainda é tão grande, visto daqui.

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                                     Passamos a vida toda, nos preparando para as adversidades que podemos encontrar durante o caminho. Depois de determinada idade, nos julgamos tão adultos e independentes, que passamos a acreditar erroneamente que o mundo não é mais capaz de nos ferir. Nos julgamos espertos demais. Prevenidos demais. Grandes demais para nos deixar cair em pequenas armadilhas. ‘Isso é coisa de criança, eu não tenho mais 15 anos de idade’, estufamos o peito para dizer. O tempo passa, e a gente aprende. Por bem ou ´por mal, mas sempre aprende. Aprendemos que quando mãe diz: ‘Leva uma blusa que vai esfriar’, geralmente esfria. Aprendemos que no dia em que você acorda atrasado para o trabalho, provavelmente tudo, absolutamente tudo que você precisa vai começar a sumir: as chaves, o casaco, alguém viu o par daquele meu sapato preto? Aprendemos que quando o relógio desperta, suplicar por mais 5 minutinhos não adianta nada, você não dorme e ainda acaba correndo contra o relógio no final.

                                                        Aprendemos que amigos de verdade, são poucos. E os que sobrevivem ao passar dos anos, são mais escassos ainda. Aprendemos que o mundo é um pouco diferente do que imaginávamos ser, e crescer passa a não ser assim tão divertido como pensávamos ser enquanto crianças. Aprendemos que independência, as vezes implica em solidão, e nem sempre estamos preparados para conviver com nós mesmos, cercados por quatro ensurdecedoras paredes. Aprendemos que mesmo nos julgando tão impassíveis a erros, continuamos errando o tempo todo. Cada vez mais, e tantas vezes ainda persistimos nos erros. Aprendemos que conselhos apesar de não merecerem ser seguidos á risca, devem sim, por outro lado nos fazer pensar, quem sabe até repensar algumas atitudes.

                                                            Somos egoístas o bastante para achar que não precisamos de ninguém além de nós mesmos. O mundo não é uma bolha. Nós não somos objetos pré programados para identificar sinais visíveis de ‘opa, é encrenca’ , e nos manter afastados. Todo orgulho que temos, deveria ser barganhado nas praças públicas em troca de alguns frascos de coragem. Precisamos sobretudo, de coragem. Coragem para se permitir errar. Coragem para se permitir amar. Coragem para se permitir mudar. Não somos imutáveis, não morremos exatamente da mesma maneira que nascemos, tanto na imagem quanto no psicológico. Enquanto ainda houver em nós, suspiros de vida. Haverá incertezas e mistérios.

                                                             Estamos tão programados para ouvir dos outros só o que queremos, que quando alguém nos contraria, é como se estivéssemos sendo apunhalados pelas costas.  Não estamos preparados para o amargo das palavras, para o ácido que vem das bocas alheias. Queremos apenas o doce, feito crianças, que desprezam o jantar de vegetais, porque aquele chocolate é muito mais apetitoso. Não estamos e nunca estaremos preparados para situações que nos coloquem em confronto com nós mesmos. Fazemos planos, a curto e longo prazo, e quando a curto e longo prazo eles se desfazem feito poeira ao vento, nós choramos como crianças que não lembram aonde deixaram o brinquedo preferido. Será mesmo que o mundo apesar do tempo, não é capaz de nos ferir?

                                                                    Sempre estaremos a mercê de novas feridas. Poque apesar de todo nosso esforço em fazer dar certo, porque apesar de toda nossa boa vontade em nos dedicar ao que acreditamos, no final, bem lá no final, algumas coisas, não dependem só de nós mesmos. E ninguém é igual a ninguém. Não adianta insistir em encaixar a gente no abraço do outro, se ele é feito peça diferente. Não adianta esperar do outro a mesma atitude, se ele inevitavelmente pensa diferente. Isso vai sim te machucar, não importa o quanto você pense ser mais forte do que o mundo que lhe cerca. Isso vai sim te machucar. E você terá outra vez que aprender a cicatrizar sozinho. Porque apesar de toda experiência, toda idade, e toda força. Por dentro, você ainda tem um coração que é feito coração de criança, que chora fácil, confia, acredita, e ama, mesmo quando é aconselhado a deixar para lá.  E não importa o quanto você tente crescer, diante de algumas coisas da vida, você sempre será como uma criança, sem entender, sem perceber, que alguns infinitos são sim, maiores do que outros.

t.

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