O ‘km’ do agora, na rodovia da saudade

 

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                                      Existe uma curva entre o ontem e o amanhã, chamada: agora. Muitas pessoas transitam distraídas nessa curva. Algumas acabam se perdendo, perdem o rumo e colidem de frente com o imprevisto. Outras nem sequer olham a paisagem que passa despercebida do outro lado da janela. É a pressa. A vontade de chegar. Mas chegar aonde? Eu não sei. Existem ainda aquelas pessoas cautelosas, que reduzem a velocidade, apreciam a vista e passam seguras pela curva, certas do que vão encontrar no final dela, certas de para onde vão continuar. O agora, é feito laço de fita em presente, algumas pessoas o usam para enfeitar o embrulho. Um mero detalhe. Um adorno para a melhor parte que ainda está por vir, o conteúdo do embrulho, a sequência, a surpresa. Não importa quão bonito seja o laço de fita, ele sempre vai ser deixado de lado, na ansiedade do que ainda está por vir, do que ainda não se conhece. Pensamentos a frente, vidas adiantadas. Ponteiros de um relógio apressado.

                           E o agora? E se você só tiver o agora? Muitas pessoas não pensam na sorte que é viver o agora. Querem o futuro, outras só queriam mesmo voltar ao passado. Mas e o agora? O agora, parece que poucos querem mesmo viver. Uma pena. Um desperdício de sorte. Porque sim, é uma sorte tremenda, fazer parte do agora de alguém. Talvez eu não esteja no seu agora. Talvez essa tal curva ainda esteja muito à frente no meu caminho, eu ainda não cheguei lá. A estrada parece longa, cheia de desvios. E quanto mais eu pareço estar perto, mais longe eu me vejo, uma interminável sucessão de rodovias. O meu agora, tem sido bem distante do seu.

                            As vezes sinto inveja de quem divide o agora com você. Quem já passou pela curva, quem outrora até parou no acostamento para apreciar a vista. Essas pessoas não sabem a tremenda sorte que tem. Algumas não tem nome, ou melhor até tem, mas para você são apenas um rosto, um desconhecido, uma desconhecida, alguém com quem você esbarra no dia a dia, no corredor da universidade, na fila do banco ou até naquela pescaria de fim de semana. Pessoas que mesmo assim, dividem o agora contigo. E não sabem a tremenda sorte que tem. Desejei ansiosamente viver o agora contigo.

                              Queria ser a garota de vestido preto e lábios vermelhos sentada no bar, aquela noite. Aquela que te chamou a atenção. Queria ser a causa de um dos teus sorrisos espontâneos, nem que o motivo do riso fosse a besteira que eu acabei de deixar escapar. Queria ser dona do par de olhos que você sondou na multidão e que ficou na sua cabeça aquela noite toda. Você nem sabia o porque, lembra? Mas não conseguia esquecer. Queria ser o abraço para onde você correu quando sentiu que precisava de conforto. Pesou né? Foi um dia cansativo e pesado, eu sei. Você precisava se sentir amparado. Se sentir abraçado. Queria ser aquela palavra certa na hora que tudo estava prestes a desmoronar. Você precisava saber que havia mais alguém com você. Alguém que se importava de verdade. E eu realmente me importo. Essas pessoas não sabem a tremenda sorte que tem.

                                    Vivo o meu agora, na certeza de um dia passar pela curva onde você está vivendo o seu agora. Sentaremos juntos à beira do caminho, enquanto você me põe a par do seu dia. Choveu? Esfriou e você não gostou nenhum pouco. É você é todo sol, da cabeça aos pés eu sei. Enquanto você discorre sobre aquela nova composição que vem saindo só na voz e no dedilhar do violão. Você se orgulha muito dela eu sei. Deve mesmo se orgulhar, é parte de você. E eu sinto muito orgulho. Vou ficar ali, ouvindo você falar e rir. Me embriagando de um agora que é meu e seu. Na curva que parecia não chegar. Desfrutando do laço de fita intacto, sem nenhuma pressa de desatar o nó e conhecer o que vem a seguir. Detalhes, eu aprecio os detalhes que ninguém vê, como aquela ‘pintinha’ de beleza que você carrega no queixo, a covinha que se forma cada vez que você sorri. Um passo de cada vez. Você não tem ideia da tremenda sorte de quem vive o agora com você. Em que Km exatamente fica a curva que você está? Me diz vai, eu preciso saber se o combustível que tenho, ainda me deixa chegar lá. Sem paradas dessa vez. Porque eu sempre soube, aonde eu queria estar, aonde eu queria chegar.

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