Quando o avesso é o lado certo

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             Se eu te virar do lado avesso o que é que eu vou encontrar? Se eu te despir dos teus adereços o que é que eu vou encontrar? Se olhar além da sua vaidade, ainda vai ter alguém ai? Se ao invés do espelho, olhar em meus olhos, o que vai ver refletir? Será mesmo que ainda existe alguém ai? Eu não sei. Fiquei frente a um desconhecido, eu não mais te reconheço. Porque as pessoas cuidam tanto do externo e se esquecem do que carregam por dentro? Ninguém é tão perfeito que não esconda uma imperfeição embaixo do tapete. Num desespero eminente de apagar vestígios de quem foi, de quem era, de quem é.

          Fazem tipo. Usam máscaras. Criam mentiras as quais passam a viver. Pior que isso, passam a acreditar e já não sabem mais distinguir, realidade ou ilusão. Eu não mais te reconheço. Quando as pessoas se tornam estranhas… Quando a confiança se vê ameaçada? Quando a maquiagem sai na água? O natural perdeu a vez. Baile de máscaras agora é o ano todo. Quem vai de cara limpa geralmente não tem vez, nem voz, nem credibilidade. É julgado louco, emotivo demais, um mero apaixonado. Eu perdi o jeito. Não sei mais como confiar. Perdi o jeito com as pessoas. Não sei mais como me apaixonar. O que é a confiança?

              A confiança não é vendar os olhos e caminhar no escuro, amparado por um par de mãos amigas. Isso é só balela. Conversa para boi dormir. Confiança é estar ciente de que, em determinado momento do caminho você pode fraquejar e, quando isso acontecer, vai ter um par de mãos amigas pronto para te amparar, sacudir a poeira da roupa e te levantar do chão. Isso é confiança. Confiança é olhar nos olhos do outro e se ver refletido neles. É ver que o outro está realmente ali, olhando para você, ouvindo o que você tem a dizer, mesmo que não concorde com uma só palavra.

                Confiança não é precisar ser forte o tempo todo. É não ver vergonha na fraqueza, não ver vergonha alguma na tristeza. Confiança não é ter um ombro para chorar, é ter alguém para sorrir teu sorriso, assumir o posto do teu riso fácil e te mostrar que a vida não é assim tão ruim. Confiança não é esperar que o outro nunca vá te decepcionar. Acredite todas as pessoas vão um dia te decepcionar. Confiança é saber que no final das contas vocês vão saber como consertar. Confiança não é fazer do outro um baú de intermináveis relatos cotidianos, segredos e picuinhas sobre a vida do de lá.

                Confiança é ver que o outro percebe tudo que você não consegue dizer, apenas com um único olhar. Confiança não é esperar que o outro afague seus cabelos em toda e qualquer situação, dizendo ‘bom trabalho’. Confiança é ganhar uns puxões de orelha e perceber que pisou feio na bola, outra vez, mais uma vez. E então? Quem eu vou encontrar? Alguém em quem eu possa confiar? Por detrás da grife da roupa, da vaidade do olhar, da maquiagem carregada, do sorriso sarcástico naquela mesa de bar. Por detrás de tudo isso, ainda existe um ser humano. Frágil, quem sabe até inseguro. Morrendo de medo de não saber mais como confiar.

            As vezes a decepção nos coloca na lona e juramos a nós mesmos que situação parecida, jamais irá acontecer outra vez. Quanta bobagem. Deixar de viver outros enredos, de desvendar outros mistérios, tudo por medo de confiar em alguém. Seja corajoso, encare o rosto por detrás da máscara, rale os joelhos e erre o caminho, se perca. E confie que em breve você volta a se encontrar. Quem sabe sozinho, quem sabe com um segundo par de pegadas no caminho. Mas jamais se esqueça de que você precisa confiar para se tornar de confiança.

                Ninguém confia no perfeito. No forte. No politicamente correto. Naquele que nunca cometeu um erro sequer. Eu prefiro confiar nas feridas recentes, nas bússolas quebradas e no peso pena para me defender. Prefiro me amparar nas experiências de quem errou e aprendeu alguma coisa com aquele erro.  Porque de ser humano para ser humano, cá entre nós, errar faz parte do que é viver. E a confiança geralmente não nasce dos acertos, mas dos erros que aprendemos a consertar. Quantas experiências você teve hoje? Aposto que pelo menos uma, de algum erro bem cometido. Confie.

t.

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