a love letter from me to you.♥️

Fomos a mais breve das histórias, o mais sedento dos inícios, fomos. Hoje já não somos, nem sequer um nós, voltamos a ser só um eu e um você, separados. A intensidade definiu a história, quando pendeu para um dos lados mais do que para outro. Vivemos o mesmo enredo, porém em tempos diferentes. Eu confesso que atropelei um pouco a vida e quis tomar das mãos do destino, a caneta que escrevia nossas entrelinhas. Você disse que isso era arriscado, mas eu não dei ouvidos, só percebi o risco depois de perder você em um dos meus tantos atropelos. Mas você também errou, quando não me mostrou que a pluralidade era quem te definia, cegou meus olhos e me deixou ver apenas um dos lados do caminho, quando na verdade estávamos à beira de uma grande encruzilhada da qual você experimentava todos os lados, e visitava às escondidas todos os caminhos. Foi num desses caminhos alternativos da vida, que eu te percebi indo embora. Ainda lembro do frio na espinha, das minhas mãos suando frio, e das pernas bambeando ao reconhecer aqueles braços envoltos em outros bem ali, na minha frente. Acho a trama do destino à mais bela das tramas e queria ter o controle de ao menos poder escolher a trilha sonora das melhores cenas, ou das mais marcantes, como essa. Eu sentia meu mundo tremer bem abaixo dos meus pés, e meu coração arder dentro do peito. Doeu. Feito ferida aberta. Choveu. Lágrimas teimosas nos meus olhos. Percebi que uma entrega sem aceite do destinatário, é devolvida ao remetente cedo ou tarde. E foi assim que você mandou de volta meu coração, ainda com as fitas e laços intactos. Percebi que sua cautela na verdade era só superficialidade, desinteresse em tentar profundidades. E eu? Logo eu que nunca soube não mergulhar de cabeça, tive medo de me machucar e acabei me machucando, porque confiei que mergulhar era seguro, mas no fim tudo em você era superficial demais ainda. Enfim, queria dizer que sinto falta das conversas longas e da completa despreocupação na falta de assunto, nunca faltou, nunca faltava, éramos sempre histórias e memórias de nosso individual, buscando amparo no nosso conjunto de nós dois, para serem revividas. Quantas histórias compartilhamos. Quanto aprendemos um sobre o outro. Você era tão parecido comigo que isso as vezes assustava um pouco, criamos a nossa própria rotina, nossas legendas e nossas pequenas tradições. Escolhemos a dedo nossa trilha sonora, e se pudesse dizer qual musica me faz lembrar você seria sem duvidas: A love letter for me to you – Stick Fingers. Sei que pareço andar em círculos até nessas palavras que agora tento te escrever, mas queria mesmo que você soubesse… que sinto tanto por dizer tanta coisa que não deveria ter sido dita, sinto muito, sinto mesmo. Que esse seja o momento mais próximo que já cheguei de pedir minhas mais sinceras desculpas. Queria que aquele seu Cappuccino viesse agora é consertasse o que parece não ter conserto. Queria que um filme ruim pudesse ser nossa nova tradição, mesmo você odiando filmes dublados e mesmo as poltronas do alto sendo tão desconfortáveis, ainda assim… seria divertido dividir a pipoca do cinema com você outra vez. Recostar no ombro e sentir o perfume doce de quem é tem personalidade marcante a começar pelo perfume. Basicamente isso tudo é sobre desculpas e saudades, um pouco mais de uma do que de outra, cabe a você reconhecer. Uma cerveja dando nome a um ser fofo, mas não uma cerveja qualquer. Nossa discussão sobre jogos e o orgulho que eu sentia de ver você dizendo daqui 40 minutos eu volto, vai começar outra partida. Era engraçado. Era leve. Éramos assim. Éramos nós. Eu sei que nossos caminhos não voltarão a se cruzar, e eu sei que para você pode não ter marcado da mesma forma que marcou para mim. Sempre fui mais intensa, e isso você mesmo já havia percebido só de botar os olhos em mim. Mas, agradeço enfim… pelos dias compartilhamos, pelos diálogos longos e pelos planos feitos só por fazer. Foi uma incrível jogada de sorte, a vida ter me feito esbarrar em você. 

do you see me? really?

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Clique aqui,  para ouvir Know me Better – Mabel, enquanto lê. ❤

Você me vê. Mas você não sabe quem eu sou. A verdade é  que as pessoas nos notam, mas definitivamente não nos conhecem só no olhar. Nunca fui do tipo de pessoa que repara em alguém, só para exercer o poder de criticar, pelo contrário o que me chama a atenção é quase sempre algo que eu admiro só de bater os olhos, e aí nunca é critica é sempre só, elogio. Eu já fui pega de surpresa por pessoas que me surpreenderam quando eu esperava tão pouco, e elas chegaram lá e me mostraram muito, muito mais de si mesmas.  E esse é o tipo de surpresa que nos faz bem. Sabe por que? Porque nos coloca no lugar, nos mostra que não se pode ver o outro, ver de verdade mesmo, só num espiar de olhos rápidos. É preciso conhecer o contexto, é preciso ouvir a história, é preciso experimentar da companhia. Por isso, eu sei… você me conhece, mas definitivamente não sabe quem eu sou.

Eu posso ser aquela que desfila salto alto a semana inteira, e só de olhar já parece nariz empinado demais. Mas quase ninguém conhece a versão pés descalços pela casa, e pijama surrado quase como segunda pele em todos os finais de semana, “tão desleixada” você diria se pudesse ver, e olhe só… já teríamos só ai, dois constrastes em uma única pessoa. Eu posso ser aquela que quase nunca sorri, e traz sempre no rosto a expressão fechada de quem não se importa nem um pouco com o mundo a sua volta. Mas quase ninguém conhece a versão riso frouxo nos almoços de domingo, onde para completar a personalidade só precisaríamos mesmo do bom e velho nariz vermelho de palhaço, porque gargalhada já tem, e muita. Eu posso ser aquela que escuta clássicos do Jazz no volume mais alto, para alguns ótima escolha musical, para outros tão antiquada quanto alguém no auge dos seus 80 anos. Mas ninguém conhece a versão eclética, de quem passa todos os repertórios possíveis da playlist, sem ousar pular sequer a sessão de funk, “tão descontrolada” você diria se me ouvisse cantarolando coisa assim por ai.

Eu posso ser inúmeras pessoas aos seus olhos, posso ter milhares de personalidades, algumas boas qualidades,  ou outros terríveis defeitos. Eu posso ser boa o bastante ou insuportavelmente ruim. Eu posso ser o coração mole, que se entrega fácil ao choro no menor sinal de afeto possível, ou posso o coração de pedra que parece não pulsar nenhuma reação sequer. Eu posso ser a boa filha, ou a rebelde sem causa que vive dando tudo, menos orgulho a família. Eu posso ser inteligente a ponto de debater inúmeros assuntos ou boba demais a ponto de silenciar diante de uma afronta. Eu posso ser aquela mimada que acha que o mundo todo vive a meu favor, ou posso ser aquela que ralou suficiente para chegar aonde chegou pelas próprias pernas. Eu posso ser a antipatia que não ergue os olhos na direção de alguém ao caminhar pela rua, ou posso ser a timidez que se esconde até atrás da própria sombra sempre que sai por aí. Talvez você nunca vá saber afinal. Eu posso ser a medrosa que nunca experimentou uma grande emoção, ou posso ser a coragem que colocou os pés no mundo, e se inebriou de pura liberdade destemida. Eu posso ser entediante demais, ou surpreendentemente interessante, dependendo de quem estiver me ouvindo.

Eu posso ser muita coisa, para você. E pode ser que muitas dessas coisas que você olha e vê, nem seja de fato eu. Posso ser quem eu sou de verdade ou quem eu sou só de mentira, mentira essa que você mesmo vê e toma por sua própria verdade sobre mim. Eu posso ser quem você quiser que eu seja, para você… e não importa muito quem eu seja de verdade, se você não estiver nenhum pouco interessado em conhecer minhas verdades. O fato é, que posso não ser da forma como você me vê, pelo menos não tão superficial assim quanto sua visão sobre mim. Posso ser só um comentário qualquer ou ser realmente a protagonista da história que está sendo contada. Alias,  minha história tem muito mais capítulos do que o pequeno prólogo inicial que você leu e achou ser tudo. Sou um conjunto de experiencias tão minhas, que só mesmo quem convive consegue perceber. Não sou facilmente decifrável com um bater de olhos, é preciso olhar outra vez,  e mais uma vez. É preciso parar para ouvir, ouvir muito. Afinal, aquela pessoa calada pode não ser assim tão calada quanto demonstrava ser. É preciso conhecer.

Não se conhece ninguém só num olhar, não se julga alguém só por demonstrações de personalidade em fragmentos de diferentes situações. Existe um todo, por trás de cada parte. E é juntando todas as partes, feito quebra cabeças mesmo, que se chega a um “eu”no final do jogo. Quantas pessoas você verdadeiramente conheceu nos últimos anos? E quantas você “achou” conhecer? Provavelmente a balança penderia com enorme diferença para um dos lados, se medíssemos ambas as respostas. É cada vez mais difícil conhecer verdadeiramente as pessoas, não porque os tempos mudaram, não porque não existem mais pessoas legais o bastante por aí. É difícil, só mesmo por falta de… interesse. A enorme névoa de superficialidade que por vezes cega nossos olhos diante de belíssimas profundezas, que nem nos dignamos conhecer. Conheça as pessoas, mas conheça de verdade. Veja as pessoas, mas veja de verdade. Ouça as pessoas, mas saiba ouvir até o final. Note, perceba a diferença entre julgar saber, e saber realmente quem é quem.

happen now.

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Clique aqui, para ouvir Breadcrumbs – Jacob Lee, enquanto lê. ❤

Eu quase sempre deixei minha vida parada no acostamento, esperando alguém chegar com o socorro, ou simplesmente trazendo o combustível que me fizesse seguir viagem. Confesso que perdi muito tempo presa, nessas “esperas”, nessas paradas, tempo que se tratando da vida, é praticamente impossível reaver. Deixei muita coisa para depois, deixei muitas experiencias para depois, me deixei para depois em mais vezes do que meus dedos seriam capazes de contar. E o depois? Bem, parece que ele nem sempre vem, pelo menos não a tempo de viver o que ficou, o que já passou. Perder um momento  na vida, as vezes é como ter o bilhete de loteria premiado na palma das mãos e deixar se perder, é como sentir a sorte ao seu alcance e não desfrutar dela da forma que deveria.

É eu esperei muito tempo, por companhias que nunca chegaram. Elogios que nunca me foram feitos. Textos e canções que nunca me foram escritos, ou apresentados. Eu esperei muito tempo por alguém que embarcasse comigo nas mesmas viagens, nas reais e nas de faz de conta, alguém que até hoje nunca chegou. Ligações que não atrapalharam meu sono matinal. Mensagens de texto que não chegaram antes do nascer do sol. Noites enluaradas que não emolduraram dois olhos voltados a mesma direção. Drinks que não foram brindados da forma que deveriam. Risadas que não foram compartilhadas. Histórias que quase acabaram na primeira frase, esperando por mais protagonistas. Porque na verdade, eu sempre achei que para escrever uma boa história, boa mesmo, fosse preciso alguém mais, além de mim mesma. E foi ai que eu me enganei.

É eu percebi a tempo. E que bom que foi a tempo. Que para escrever a minha própria história eu só precisaria mesmo das minhas próprias escolhas. Sabe… foi ai que eu arregacei as mangas e decidi viver, por mim mesma, só dessa vez, só para variar um pouco. Respirei boas doses de coragem. Aprendi que eu poderia me sentir bonita, mesmo não recebendo elogios de terceiros. Me olhei com mais carinho enquanto passava despretensiosamente em frente ao espelho e soltei um: “você esta realmente linda hoje”, assim como quem não quer nada, finalizando a frase com um grande sorriso nos lábios. Sai porta a fora orgulhosa e decidida, enfrentei a vida como quem carrega consigo aquela sede de ganhar o mundo todo. E ganha. Ganha porque acredita que realmente pode ganhar. É, eu botei fé em mim mesma. Parei de temer a grandeza das coisas e das pessoas que parecem sempre grandes demais, muito maiores do que realmente são. Cresci, a ponto de alcançar mesmo que na ponta dos dedos, tudo que eu sempre quis alcançar, parei de me sentir pequena.

É, eu finalmente enxerguei a realidade sem disfarces, sem medo. Passei a conviver com a minha solidão e apreciar os bons momentos que dividi comigo mesma. Me conheci, talvez até pela primeira vez. Descobri meus pontos fracos e aceitei  cada um deles, afinal a fraqueza nos mostra que não somos invencíveis, muito menos alheios ao sofrimento, e isso  não nos deixa experimentar o sabor amargo da soberba. Eu valorizei minhas qualidades e repensando algumas, até encontrei outras que nem julgava ter. Reeditei meus ideais, mudei algumas verdades imutáveis e saboreei dos erros não como quem é derrotado, mas sim… como quem aprende uma grande lição e sai de cabeça erguida, exibindo esplendorosamente todos os joelhos ralados. Eu parei de esperar para viver o amanhã, sendo que o hoje já me esperava ali, bem na porta. Era só sair e viver. Me agarrei ao que tenho e parei de desejar desesperadamente o que ainda não era meu. Fui grata. Fiz planos mais maduros, de quem sonha muito, mas percebe que sonho mesmo só é saudável se não nos tira o gosto de viver o hoje. Deixei meu amanhã acontecer só mesmo no amanhã.

É eu parei de esperar. Parei de esperar por respostas alheias, e tratei logo de responder eu mesma algumas perguntas.  Sobre mim. Sobre o que EU quero. Sobre quem EU sou. Sobre o que me faz feliz. Deixei de colocar minha felicidade a cargo de quem ainda nem chegou, assumi a responsabilidade de me fazer feliz por mim mesma. Não pausei mais minha vida, esperando por alguém que nem sequer divide o hoje comigo, muito menos se sabe se vai um dia vai chegar a dividir o amanhã. Coloquei meus pés no chão e sabe que a sensação não foi lá das piores. É bom sentir que o hoje te pertence, que você tem controle sobre isso, e que o futuro vem como uma surpresa a cada  novo raiar de sol. Eu parei de sentir pena de mim mesma, parei de esperar grandes reviravoltas da vida, de esperar que a sorte me encontre no meu casulo e me traga de volta aos bons tempos. Aprendi a levantar, sacudir a poeira do velho moletom desbotado e ir atrás do que eu quero, sem drama, sem “mimimi”, vestindo apenas a boa e confortável força de vontade. É aí que as coisas acontecem. Ficar parado nesse eterno acostamento definitivamente não faz a vida voltar a seguir o seu curso.

Seja grato. Seja corajoso. Seja confiante. Seja decidido. Faça do seu “eu”e do seu “hoje”os verdadeiros protagonistas da história. Não terceirize felicidade, não deixe a vida esperando pelo idealizado amanhã, nem sempre ele chega, e quase sempre esse amanhã já pode ser tarde demais. Não guarde emoções que precisam ser sentidas, palavras que precisam ser ditas, abraços que precisam ser dados, sorrisos que precisam ser estampados. Viva o agora, na mais intensa vontade de quem realmente sabe da importância que ele tem. Desfile o amor próprio. Reaprenda outras formas de amar, além das convencionais. Não se entristeça com as ausências, ou com o que falta, mas se alegre pelas presenças que surgirem, e por tudo que completa hoje a sua alma. Faça o que tem vontade de fazer, diga o que tem vontade de dizer. Conheça lugares que sempre quis conhecer, vá a bares que sempre quis adentrar, pise em terras que sempre teve vontade de pisar. Seja livre. E sinta essa liberdade de ser quem você é, sem precisar de coadjuvantes, sem precisar de idealizações. Seja. Sozinho mesmo se preciso for. Viva. Da mesma forma se assim se fizer necessário. Mas… viva. E viva com intensidade.

Porque o agora, É A SUA VEZ.

it was about you, it ended up being about me.

 

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Sabe já faz um bom tempo eu sei, mas é como se eu ainda estivesse presa naquela semana, naqueles dias, naquela cidade. Eu ainda lembro dos detalhes, nossos passos embaralhados pelas ruas agitadas de uma cidade que parecia acordar a noite, seu assoviar divertido com temas de clássicos dos desenhos nos anos 90, seu sorriso de canto que me servia como um convite para chegar um pouco mais perto, um convite ao aconchego, um incitar de novos abraços.

Sabe, as vezes ainda me sinto como aquela garota, sentada ao seu lado naquele banco bem no meio da St. Patrick’s, cabeça encostada no seu ombro, mãos entrelaçadas as suas, e olhos perdidos no mar de pessoas que por ali passavam. Você prendendo seu cigarro entre os dedos, nossa sombra refletida na calçada em um das raras presenças de sol de um país famoso por ser tão cinza. Talvez esse tenha sido o momento em que mais me aproximei de uma verdadeira definição de paz. Eu me sentia em paz ali, você me mantinha em paz ali, éramos paz ali, juntos.

Sabe todos os dias eu aprendia com você, sobre você e talvez principalmente sobre mim. Eu me permiti ser eu mesma, com todos os medos e todas as enormes inseguranças, com a gargalhada esquisita e o cabelo bagunçado de sempre. Eu me permiti ser a garota que  sentiu a respiração falhar ao ver você entrando pela porta daquele pub. Eu me permiti ser a garota que acenou na sua direção. Eu me permiti ser a garota que ganhou logo em seguida um enorme sorriso como resposta ao aceno. Isso me marcou. Esse encontro me marcou. Essa experiencia me mudou. Você era um pedaço do mundo para mim, que a principio parecia tão distante e num piscar de olhos se mostrou ser completamente acessível, alcançável. Eu alcancei um pedaço do mundo quando te conheci, e hoje o mundo todo de repente parece ser mais fácil de alcançar para mim. Perdi o medo de toda essa imensidão, perdi o medo das surpresas que me esperam além mar, perdi o medo de voar, perdi o medo.

Sabe, hoje eu completo mais uma volta ao redor do sol, e é quase impossível não relembrar que na volta passada você esteve comigo. Vai ser difícil para a vida me surpreender a ponto de superar a surpresa de quando ela me trouxe você, naquela semana, no meu momento, dentro do que parecia ser um sonho, mas era real, palpável, passível de despertar olfatos com perfumes e sorrisos com trocas silenciosas de olhares. Foi o ápice do indescritível. Foi você. Foi. Fomos um nós.

Sabe, a chuva ainda me traz memória do som da sua risada perceptivelmente  estrangeira. Como naquela noite em que parecíamos inebriados pela vida e entregues ao acaso, duas almas leves se deixando molhar pelos pingos de chuva que caiam do céu já escuro, duas crianças pulando em poças de água e tentando derrubar um ao outro dentro da fonte que ficava no caminho, bem em frente aquele parque de grades altas sempre fechadas, mas que durante o dia era palco de bons músicos locais e de um violino em especial, que tocou a sua música, aquela cujo som agudo das notas parecia cantarolar a letra em espanhol da qual você só sabia o refrão, mas cantarolava junto sempre, mesmo assim, mesmo não sendo nem de perto o idioma que você dominava.

Sabe, você ficou ate mesmo nas coisas mais banais. E isso é o que eu chamaria de intensidade. Ainda sinto você invadindo despretensiosamente meus bate papos entre amigos. Nunca é sobre você, mas sempre acaba sendo você em uma história ou outra. Porque você de fato, esteve presente em cada uma dessas histórias. Elas são sobre mim, sobre nós, sobre meus amigos, sobre eu e você, e aquele lugar, onde o verde predominava nos campos e os dias eram quase sempre nublados. Mas onde a vida parecia ser mais leve e absurdamente mais apaixonante.

Sabe, eu me perdi em inúmeros momentos quando estive com você. Me perdi no caminho, a clássica história do Fitzgerald, que com certeza nunca iremos esquecer. Me perdi no tempo, que pareceu passar mais rápido do que normalmente passaria. Me perdi no azul dos teus olhos, contratados com o loiro dos seus cabelos. Me perdi nos teus monólogos sobre família, amigos, e sobre vida no geral. Me perdi nos planos que fizemos juntos,  nos que eu fiz e nos que deixei você fazer por nós, sozinho. Me perdi, dentro de um lugar que esteve dentro dos meus livros, mas que agora parecia fazer de nós personagens de uma história até então nunca contada por ninguém. Nós vivemos essa história, marcada a cafés, flores, e paisagens de tirar o fôlego. Foi a nossa história. Fomos nós.

Sabe, tem muita coisa sua que ficou aqui, os tickets de trem, as entradas do passeio que você guardou no bolso, o registro da sua eloquência conquistada, as fotografias de nós dois,  os episódios das suas series favoritas que eu já sei de cor, a receita do seu famoso frango assado com brócolis, sua mensagem de bom dia no horário local que quase ainda era boa noite pra mim, seu perfume do qual agora eu tenho um frasco, só para reascender as memórias, só para não deixar todo esse tempo te apagar de mim, ou nos apagar das histórias, aliás tem eu também, que ainda sou um pouco sua e talvez nunca deixe realmente de ser, mesmo que só um pouco, mesmo que só por um descuido, mesmo que sem querer, quase, quase querendo. Porque droga, era tão bom me sentir pertencer. Pertencer a essa liberdade que éramos nós, sem definições, sem amarras, sendo só sentimento e dos fortes meu caro. Forte mesmo.

Sabe, tem muita coisa minha que foi com você, além é claro daquela nota de 2 reais, toda rabiscada, com frases descontraídas tentando soar engraçada, mas também cheia de corações desenhados, para não fugir do foco principal que era de forma subliminar te dizer: que do outro lado do mundo, depois de todos esses quilômetros, tinha coração inquieto e saudosista, esperando sempre por você. Cola ai vai, pra uma visita! Cada  berloque daquela pulseira contou um pedaço da história, que eu contribui com alguns capítulos e você com outros, teoricamente não precisaria da carta, só de olhar você já iria saber, que de todos o mais importante era o coração vermelho que ficava bem no fim, pendurado logo depois de um trevo da sorte, porque aquele era o meu coração dado a você de forma figurativa, com um pingo ou outro de verdade.

 

Sabe, na real mesmo eu só queria dizer que sinto saudade. E olha só a ironia, logo saudade que só se define realmente em português. Na sua língua seria algo parecido com “Ich vermisse dich”, que eu nem sequer sei pronunciar, e olha graças a Deus você falava outro idioma, mas enfim… falta ou saudade, eu só queria dizer que é isso que eu sinto de você, ainda hoje. Obrigada pela nossa história . Será sempre meu melhor presente de voltas ao sol, já ganhado até hoje. Feliz dia para mim! ❤

It does not have to be beautiful, it just needs to be real.

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Clique aqui,  para ouvir Heaven – Bryan Adams, enquanto lê.

 

Sabe, eu fui a primeira a desacreditar de nós. Quando as pessoas me diziam: “vocês jamais dariam certo, são tão diferentes”… Eu apenas concordava. Parecíamos realmente errados demais, opostos completamente individuais. Personalidades absurdamente desiguais. Cada particularidade sua me incomodava, o som da sua risada alta demais ecoando pelos cômodos, a sua falta de jeito com as palavras, a sua mansidão diante de toda minha tempestade interior. Eu detestava o modo como você costumava cortar o cabelo e a sua mania de falar de finanças e assuntos sérios durante a descontraída cerveja no balcão do bar. Eu me incomodava com a sua falta de apego, e com a ausência praticamente completa do seu romantismo, o que soava quase como um silencioso deboche toda vez que eu dizia sentir algo por você. Eu condenei cada uma das suas investidas em outras garotas, acontecendo bem ali na minha frente, mesmo que não houvesse compromisso algum, mesmo que não houvesse nada entre nós. Ainda assim, era estranho ver outras se interessando por você e pior, ver você se interessando por elas em resposta.

Eu sempre quis trocar as fechaduras só para te impedir de entrar ao voltar, queria que meu coração aprendesse a lhe barrar com o tempo. Queria sentir você deixando a minha vida aos poucos, mesmo quando na verdade tudo que eu mais queria era apenas ver você chegando decidido a definitivamente ficar. Mas eu nunca consegui criar barreiras entre nós. Você sempre zombou dos meus pontos finais e fez deles reticencias, de uma história que você estava decidido a escrever do seu modo, no seu tempo, as vezes me incluindo nela e outrora me deixando do lado de fora. O pior sempre foi, meu aceitar ficar de fora as vezes, olhar você mudando coisas em você que eu não me permitiria tentar alterar, por gostar de como elas eram, por serem essencias suas, das quais eu já havia tomado posse e roubado para mim. Com ou sem a sua permissão. Eu sempre odiei a sua distancia planejada e a forma como a saudade parecia não ter sobre você a mesma influencia que em mim.

Eu sempre me irritei com essa sua teimosia, e de como discordar de mim para você parecia ser uma diversão a parte. Já supliquei para que você me deixasse em paz, quando na verdade a paz que eu queria era apenas a certeza de lhe ter todos os dias ao meu lado. Já coloquei você para fora da minha vida em mais vezes do que eu poderia ser capaz de contar, e em todas elas acabou sendo eu quem lhe pediu para voltar. Mas a escolha de voltar ou não… Essa sim, sempre foi sua. Uma absurda mistura de ódio e amor, de querer por perto e logo depois desejar estar o mais longe possível. Eu sempre detestei a forma como você me privava de assuntos seus, dos problemas, das conquistas, dos medos e até mesmo das suas maiores alegrias, eu queria fazer parte de tudo isso. Mas você sempre insistiu em me deixar a parte. Enquanto eu, compartilhava com você todos os meus sentimentos e as minhas frustrações, sem cobrar por conselhos, apenas por necessitar de ter alguém com quem dividir, quando a vida parecia cobrar mais do que eu achava suportar.

Eu conheci lados seus dos quais nunca gostei. Vi você defender verdades nas quais eu não acreditava, vi você brigar por ideais dos quais eu jamais compartilhei. A sua personalidade nunca chegou perto de ser parecida com a minha. Eu tentei mudar você, eu confesso. E obviamente mudar alguém nunca foi a atitude mais sensata, você só não mudou absolutamente nada, como eu percebi no final, que tentar mudar coisas em alguém é o mesmo que não amar, nem mesmo por amar, nem mesmo só de brincadeira. E percebi que eu na verdade, só queria lhe mudar na hora da raiva, porque na maioria do tempo eu conseguia a proeza de amar até os seus piores defeitos, o que ninguém conseguia entender, o que ninguém conseguia aceitar, o que causava estranheza. Eu amei. Cada detalhe. E sabe, eu realmente desacreditei de nós. Não havia jeito fácil ou que não fosse doloroso, para que duas pessoas completamente diferentes pudessem encontrar nas milhares de diferenças uma única coisa que acabasse por as manter juntas. Doeu. Foi mais difícil do que imaginávamos que seria. E eu continuo odiando muitas coisas em você, desde as suas repreensões a sua mania de brincar com a saúde, enquanto ainda está jovem o bastante para fazer disso uma diversão. Mas continuo aprendendo a amar suas peculiaridades, como o modo como seus olhos se perdem nos meus, ou a sua involuntária preocupação com o meu bem estar.

Já se passou algum tempo, desde que nos conhecemos. E eu ainda não sei se fomos feitos ou não para durar. Na maioria das vezes eu pendo mais para o lado do “não”outras tantas para o “sim”, mas a verdade é que independente do tempo, do eternizar ou durar apenas mais algumas semanas, no hoje eu posso dizer que gosto de lhe ter por perto. E isso é quase como amar. Ou talvez seja realmente como amar alguém. Não posso dizer que te amo sem antes ouvir isso de você, seria idiotice demais. Mas saiba que existe sentimento por aqui sim, e dos mais fortes. Capaz de transformar toda essa nossa história, quase num romance como os que vemos por aí. A única diferença é que ainda somos nós aqui. E que ainda ouvimos dos outros, a sonora afirmação de que “definitivamente não vamos durar”. Mas eles podem mesmo estar errados, não? ❤

I don’t swear. But I love you, believe.

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Clique aqui,  para ouvir Joy Williams – Don’t Let Me Down.  ❤

De que é feito o amor senão de todos os nossos tropeços? Eu não te prometi uma rotina sem nossos embates. Não prometi mansidão de espirito o ano todo. Não prometi apenas dias de calmaria. Eu te prometi amor. Amor mesmo com todas as nossas turbulências, com todas as nossas vozes alteradas, com toda a nossa teimosia. Amor. Eu não te prometi perfeição, pelo contrário, deixei bem claro que comigo viria todo o meu histórico de falhas, até mesmo as novas que ainda não haviam sido cometidas. Eu não te prometi que seria apenas o meu melhor o tempo todo, pelo contrário prometi logo o meu pior, para que você soubesse que mesmo em meio a inúmeros defeitos meus, se você ainda me mantivesse por perto, essa seria a nossa melhor definição de amor. Eu não te prometi ficar o tempo todo, mas prometi voltar, independente do tempo e dos contratempos que possam surgir em nosso caminho. Prometi memorizar o caminho de volta e não deixar que o tempo nos apague, ou que os quilômetros acabem por nos sufocar.

De que é feito o amor senão de toda essa nossa bagunça? Eu não te prometi deixar a casa em ordem. Não prometi manter cada sentimento e cada coisa em seu lugar. Não prometi tomar cuidado com os objetos mais frágeis. Eu te prometi amor. Amor mesmo na desordem, mesmo na falta de jeito, mesmo quando tudo estivesse parecendo errado demais. Amor. Eu te prometi sentimentos bagunçados, para que pudéssemos reorganizar cada uma das nossas desordens juntos. Eu te prometi mudar os moveis de lugar, mudar os sentimentos na mesma velocidade em que meu humor oscila, sem deixar oscilar a certeza de amar mesmo assim. Mesmo quando insisto em dizer que não amo. Mesmo quando insisto em tentar barrar você na minha vida, sendo que na verdade há muito você já me tomou por inteiro e eu nem sequer percebi antes. Eu te prometi quebrar o seu coração inúmeras vezes, com palavras ásperas demais e atitudes das quais eu não me orgulharia depois da poeira baixar, mas acima de tudo eu prometi reconstruir cada pedaço dele com você. Prometi não esconder as cicatrizes, mas também não deixar que elas nos definissem, afinal são só mais um capítulo na história, e jamais, jamais um ponto final.

De que é feito o amor senão de toda essa minha teimosia? Eu não te prometi concordâncias o tempo todo. Não prometi estruturas inabaláveis. Não prometi caminhar sempre na mesma direção que a sua. Eu te prometi amor. Amor mesmo quando eu discordar dos nossos planos pro domingo, mesmo quando você insiste em afirmar que é dia de futebol e eu digo que é só mais um dia qualquer, para ser gasto com preguiça, cama e um programa qualquer que ajude o sono a chegar. Eu te prometi tornar pó, todas as suas pontes de acesso ate mim, construir muralhas entre nós e só depois de um tempo reconstruir caminhos novamente até você, reaproximar. Eu te prometi caminhar do lado contrário, fazer meu norte completamente diferente do seu, não ter medo de dar as costas e seguir por atalhos nos quais você jamais arriscaria se aventurar. Prometi soltar as amarras, tornar livre, desejar sentir saudade só para depois entender a proximidade que um abraço é capaz de expressar, silenciosamente.

De que é feito o amor senão de nós dois? Eu não te prometi um par. Não prometi juras de amor diárias. Não prometi beleza. Eu te prometi amor. Amor sendo o mais impar dos pares, sendo dois em toda as suas características próprias, sem abandonos de personalidade, sem meias verdades, sem disfarces. Prometi amor que fala por si, sem precisar de clichês, sem frases feitas ou poesias decoradas. Amor. Prometi cabelo bagunçado todas as manhãs, olheiras depois de noites difíceis, quilos a mais depois de uma semana regada a TPM e chocolates. Eu te prometi não prometer nada no final. Prometi um amor livre de promessas, livre de contratos, livre de obrigações. Amor livre. Amor que vai e volta. Amor que permanece. Amor que suporta, que releva, que acredita e desacredita de ser amor. Mas que ama mesmo assim, mesmo na indecisão, mesmo na desordem, mesmo na insegurança. Amor. Amor com todas as suas imperfeições. Amor humano. Amor que mais erra do que acerta. Amor. Amor feito eu e você, completamente frágil e ao mesmo tempo de uma força desmedida.

Apenas amor.

me and you, without commas.

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Clique aqui, para ouvir Vance Joy – Fire and Flood, enquanto lê.

Eu não passei a gostar mais de mim depois de você, ou mais de você depois de mim. Nos ainda somos as mesmas pessoas que éramos antes de um entrar na vida do outro, eu ainda sou aquela garota insegura, cheia de medo de que até a própria sombra tente um dia a abandonar, e você ainda é aquele cara complicado, que não transparece sentimentos, uma incógnita, um desafio do qual eu não me vejo desistindo tão cedo. Porém eu gosto mais de nós quando somos juntos. Sim, juntos. É porque juntos aprendemos a ser o melhor de nós mesmos, aprendemos a relevar certos espinhos na certeza de que a beleza da flor que nasce, compensa todo resto no final.

O fato de estarmos juntos nunca apagou quem somos no individual, eu gosto da minha solidão preservada e da forma como você respeita a minha ausência planejada. Gosto do gosto de saudade que fica nos dias em que a sua voz é só lembrança e o boa noite chega através do celular. Gosto de quando somos nós, juntos. Mas também gosto de ser eu, apenas a mesma garota de sempre, quando estou sem você. Gosto de ver você sendo quem você é de melhor, sendo você mesmo, sendo o cara por quem eu me apaixonei na primeira troca de olhares, ainda aparentemente desinteressada. Eu gosto disso. Porque para mim relacionamento nunca foi fator determinante para que a vida de repente passe a acontecer em par.

Ainda somos eu e você, ainda somos personalidades diferentes buscando nas fragmentos comuns de nós dois, o molde para formar quem seremos juntos, a essência, o sentimento, a proximidade que nos mantém unidos. Sem pressa. Sem atropelos. Sem esmagar nossos próprios “eu’s” na ansia de sermos nós. Eu não quero que você mude por mim. Nunca fui do tipo de garota que idealizou fazer do sapo um príncipe, ou do desapegado o mais apaixonado dos homens. Mudar alguém nunca foi o meu foco, sempre preferi as paixões reais às idealizadas. E foi assim que eu me apaixonei por você. Primeiro pelas qualidades que você orgulhosamente trazia estampadas no sorriso, como um convite a quem gostar de aventuras. E depois pelos seus defeitos, um a um revelado, sem disfarces, sem receios, sem mentiras ou meias verdades.

Você foi quem é, no todo. E isso me deu a coragem de ser quem eu era também. Não tive medo de demonstrar minhas fraquezas e compartilhar minhas inseguranças. Não tive medo de dar o próximo passo ainda sem enxergar o chão, eu me deixei jogar por inteiro, me deixei ser quem eu era, me deixei ser parte de um nós, que também trazia um você. Um você que mudava todo um contexto, que dava mais sentido, que dava um novo ritmo à dias completamente silenciosos. Eu gosto da nossa distância vencida no abraço, gosto da espera de quem foi para longe, sem deixar o longe ficar entre nós, sem barreiras, sem obstáculos.

Gosto da nossa proximidade constante, da nossa fenda no tempo, que nos faz reviver todos os dias a sensação de reencontrar na mesma pessoa o amor de toda uma vida. Gosto dos nossos planos a longo prazo e mais ainda da falta de planejamento que nos possibilita surpresas a cada manhã. Eu não gosto mais de mim depois de você e nem de você depois de mim, mas eu com certeza gosto mais de nós, quando somos juntos o melhor de nós mesmos, a  essência verdadeira de um eu somado a um você, que sem desprezar qualquer personalidade fortaleceu duas pessoas e se transbordou em um casal <3.